R.I.P. Lemmy Kilmister – O Dia em que o Trovão silenciou

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Lemmy se foi. Não há muito o que enfeitar sobre isso, é uma porrada real e certeira. Foram 70 anos de vida, mais de 50 como músico, 40 deles dedicados ao Motörhead. O homem era uma máquina de fazer Rock N Roll.

As primeiras 24 horas foram muito esquisitas. Abri e fechei o editor de texto várias vezes, simplesmente não sabia o quê ou como dizer. Nem mesmo se eu queria dizer algo, para ser bem honesto. Pouco dormi. Comi mecanicamente. Enquanto ouvia suas músicas na primeira madrugada após sua morte, eu tentava assimilar a perda. Pensava “outra baixa da magnitude de Ronnie James Dio em meu universo musical… vai ser assim?” – Como se houvesse alguma outra opção além de aceitar… que lendas sobrevivem apenas em nossas lembranças, por mais que sejamos contemporâneos dos nossos mitos modernos. Caras como Lemmy tornam-se imortais em vida, nublando nosso discernimento para o óbvio: a Natureza tem suas leis a seguir, quer você queira, quer não. Vale para mim, vale para você e vale até mesmo para o adorado e “indestrutível” Lemmy.

De roadie do Jimi Hendrix, ao seu próprio lugar de direito como lenda viva do Rock, Ian Fraser “Lemmy” Kilmister trovejou em todos os palcos do mundo, trilhou praticamente todas as estradas da vida – as certas e as erradas – merecendo cada gesto de reconhecimento, cada grito, cada noite virada, cada brinde.

The Ace Of Spaces

The Ace Of Spaces

Divertido, mal-encarado, talentoso, beberrão, humilde, sem frescuras, porém educado, paciente e cordial. Não existe nenhum grande mistério quando você é uma pessoa espontânea e não fica forçando a barra, querendo parecer o que não é, nem bonzinho demais e nem malvado demais. Todos os relatos em primeira pessoa que chegaram a mim até hoje (infelizmente eu mesmo nunca pude conhecê-lo), dão conta de que ele era alguém que não ficava botando banca de grosso e valentão sem necessidade, ao contrário do que muitos acreditam e alguns até pensam estar imitando, sabe-se lá tentando provar o quê. Acho que ele daria umas boas risadas de algumas dessas pessoas e ficaria bem puto com outras.

Era perceptível em suas declarações, a postura de um homem que aprendeu ao longo de 7 décadas, que tudo que começa, acaba, tudo que sobe, desce. Aliás, não tem muito tempo, deixou claro com todas as letras que estava em Paz consigo e com o mundo, reconhecendo publicamente que não teria razão para temer a morte.

RIP Lemmy

Passados os excessos da juventude, Lemmy Kilmister só queria viver da melhor maneira que soubesse, mas sem abrir mão da simplicidade crua de sempre, que acabou lhe rendendo boa parte da fama. Curtir um som, rir, fumar, jogar, sair pra beber e transar. Apenas isso, sem delírios de grandeza. Se para nós, ele foi e será eternamente um ícone, mito, lenda, patriarca ou qualquer que seja o termo, isso é um problema nosso. Ele mesmo nunca se atribuiu a importância que teve ou ao menos nunca se comportou como se tivesse, muito pelo contrário. E isso fazia dele um sujeito ainda mais extraordinário. Nunca se importou em ser rico ou famoso, não era esse seu objetivo, foram apenas consequências. Só queria se divertir como o cara humilde que era e fazer com que nos divertíssemos tanto quanto ele, através dessa inexplicável energia chamada Rock N Roll. Pois saiba que você conseguiu, Lemmy. Missão cumprida.

Motörhead For Life. Lemmy Lives Forever. Rock In Peace, Lemmy… see ya.

Fontes & Referências
http://www.imotorhead.com/
https://www.facebook.com/OfficialMotorhead/
https://www.facebook.com/OfficialLemmy/
http://www.blabbermouth.net/news/motorheads-lemmy-dead-at-70/
http://www.rollingstone.com/music/news/the-tao-of-lemmy-18-great-quotes-from-the-motorhead-frontman-20151229
http://www.areah.com.br/vip/lemmy-kilmister/materia/123246/1/pagina_1/13-licoes-de-vida-de-lemmy-kilmister.aspx
http://www.mirror.co.uk/3am/celebrity-news/motorheads-lemmy-kilmister-playing-video-7085769

“When The Sky Comes Looking For You” – Motörhead

When The Sky Comes Looking For You - Motörhead

O biker macabro do clipe mostrando que é bom no carteado

Por pouco quase deixo passar esse presentão de Natal do Papai Lemmy Kilmister – que, por uma ironia do destino, nasceu justamente em 24 de dezembro. Vou encurtar ao máximo: é tudo muito foda. A música e o vídeo.

Black Magic - Motörhead

Black Magic – Motörhead

A música porque é aquilo que já esperamos do Motörhead, mas com uma sensação revigorada (a despeito da saúde de Lemmy não andar lá essas coisas), não sei ao certo. O vídeo porque foi dirigido por Pep Bonet, um fotógrafo profissional fantástico que trabalha com a banda desde 2008, responsável pelo livro de fotos do trio, Röadkill.

O clipe – logicamente muitíssimo bem produzido – é praticamente um curta com um biker meio… perigoso. Uma curiosidade sobre os supostos atores: o cast foi resultado de um recrutamento de fãs online que quisessem participar.

Motörhead, Bad Magic, When The Sky Comes Looking For You

“When The Sky Comes Looking For You” – Black Magic, Track 12

O resto só dando play mesmo. Muito cuidado com quem você resolve trapacear no jogo, porque nem todo quieto e calado é otário como você pensa. E nem sempre você vai poder cobrir a aposta.

Fontes:
http://www.imotorhead.com/
http://www.blabbermouth.net/
http://www.rollingstone.com/
http://pepbonet.com/

Cracker Blues  –  Uma Encruzilhada entre o Blues, o Rock, o Paraíso e o Inferno

Mais uma daquelas bandas que eu adoro e ninguém sabe. Até troco ideia vez por outra com o vocalista pelo Facebook, mas ele nem desconfia do quanto curto o som que fazem – bom, agora vai saber. Mais uma que tem rascunho salvo no Rock Universe e que finalmente tomo vergonha na cara, finalizo e publico.

Cracker Blues - Prata do CarrascoConheci o som da Cracker Blues em 2012. Um formato de Blues que me chamou a atenção desde o começo. Arranjos e letras que me dizem respeito e o principal: sinceridade artística. Quando eu ouço esse quarteto, bate uma saudade tremenda da época em que eu ainda tocava. Principalmente das trocentas jams de Blues com amigos, professores e conhecidos. Pouco antes de parar de tocar, entre outros sons, eu ficava viajando em letras e slides em um dos meus violões, justamente um que soava melhor com cordas de aço. Durante esse período, eu praticamente não ligava mais a guitarra, apenas fazia um rodízio de violões de Blues e Flamenco, sendo esses dois estilos verdadeiras orações diárias (ok, rolavam outros sons aqui e ali, principalmente músicas folclóricas de outras partes do mundo).

Era uma tentativa ainda imatura (e bastante pretensiosa, convenhamos) de soar cru, reverenciando os grandes Mestres do Blues, lá do começo da história. Até uma modesta coleção de gaitas eu tive, com as quais ao menos o básico aprendi. Bom, o fato é que a Cracker Blues me passa esse sentimento, reacende essa lembrança. Eu ouço agradecendo.

Do próprio Facebook da banda: “(…) Elementos do Blues Texano de ZZ Top, do Boogie de John Lee Hooker e do Rock Sulista de Lynyrd Skynyrd, unidos a poderosos riffs de slide guitar e letras marcantes criam características únicas na sonoridade da banda. Desde 1999, formada em São Paulo e se apresentando em grandes eventos e casas, como a Virada Cultural (SP), Credicard Hall (abrindo o show para o Creedence Clearwater Revisited), Bourbon Street Music Club (SP), Festival Roça ‘N’ Roll (MG) (…)”


O primeiro álbum da banda, “Entre o México e o Inferno” (2009), pega pelo pé e pela alma do início ao fim. De “Bolero Maldito” a “Oração para um Ordinário”, são 11 faixas transbordando Blues de gente grande.

Cracker Blues - Entre o México e o Inferno1. Bolero Maldito
2. Whisky Cabrón
3. Velha Tatuagem
4. Sangue de Segunda
5. Blues do Inimigo
6. Nascido em São Paulo
7. Tinhoso
8. Charles Bronson Blues
9. Que o Diabo lhe Carregue
10. Blues 56 – Lobo do Mar
11. Oração para um Ordinário


E o segundo, “Prata do Carrasco” (2014), não fica nadinha atrás. Nada mesmo. A atmosfera do primeiro disco continua lá, mas fiquei com a sensação de que o Blues deles está com um veneno um pouco mais Rock N Roll.

Cracker Blues - Prata do Carrasco

Cracker Blues – Prata do Carrasco

1. Trem do Inferno ao Paraguai; 2. Canto Obscuro de Um Bar; 3. Chorando Sobre Cafeína; 4. Toada Para o Cão Ernesto; 5. Caveira Chicana; 6. A Discreta Arte do Mau Olhado; 7. Lágrima Para Ernest Borgnine; 8. Jaula Enferrujada; 9. O Chão Sob Minhas Botas; 10. Óleo; 11. Ciganos Velhos e Músicas Tristes.

As letras inteligentes do vocalista e gaitista Paulo Coruja tem uma pegada densa, pode-se dizer até meio malvada. São realmente letras de um homem do Blues, não de alguém tentando soar Blues, você sente a energia, um sentimento bruto e legítimo. Coruja tem a voz perfeita para o estilo, com os drives certos, sob medida (drives esses que domina muito bem, diga-se de passagem) e feeling de sobra, o que explica uma boa parte do talento na gaita – aliás, que bom gosto ele tem no instrumento. O guitarrista, Marceleza Bottleneck, conhece as melhores rotas dentro de cada música, com riffs e solos inspiradíssimos, que conversam com a harmonia sem dificuldade. As linhas de baixo de Paulo Krüger e as escolhas do baterista Jeferson Gaucho, fazem a cozinha da Cracker Blues nada menos que perfeita, não pecam nem por falta e nem pelo excesso. Pode parecer bobagem e básico, mas presto muita atenção em bandas nas quais cada um sabe usar o seu espaço da melhor maneira, não simplesmente disputando espaço com seus companheiros de banda. Um riff, uma batida, um compasso bem aproveitado dizem muito mais do que se imagina sobre a química entre os músicos.

Recentemente eles passaram a integrar o Base Rock. Quando topei com Ma Giovananni, idealizador e produtor do projeto, fiz questão de parabenizá-lo, fiquei muito feliz ao saber desse tremendo reforço – que contou também com a adesão da Desert Dance, outra puta banda que conheci pelo Facebook do Ricardo Batalha, da revista Roadie Crew.

Entre bandas, projetos, blogs, revistas e noites no bar (como diria o pessoal do Mattilha), vamos tropeçando uns nos outros por mil caminhos, levando nosso estilo de vida adiante, tentando fazer alguma coisa, qualquer coisa ao longo da estrada. É dessas encruzilhadas que se vive o Rock N Roll. E, sem sombra de dúvida, também o Blues.

Fontes e Referências: http://crackerblues.com.br/
https://www.facebook.com/crackerbluesoficial
https://www.facebook.com/baserock.sp
http://www.baserock.com.br/

20ª The Ace Of Spades Rock Party + Entrevista com o DJ Rodrigo Branco

Rodrigo Branco no estúdio da Rádio Kiss FM

Rodrigo Branco no estúdio da Rádio Kiss FM

Acho muito interessante ver uma festa de Rock como essa, com bandas autorais de todos os estilos, surgir e se desenvolver. Ainda mais em plena Rua Augusta, onde o Rock está diariamente presente até nos detalhes. Pude acompanhar e fotografar pessoalmente todas as edições sem falta até a 10ª. Depois, por fatores profissionais – entenda-se, horário preso nos empregos “convencionais” – acabei indo só em uma ou outra. E só eu sei o quanto isso me chateia. Valorizar bandas e músicos, prestigiar lugares como o Spades Café SP e o empenho desapegado do próprio Rodrigo, é extremamente importante para a cena Rock. Acompanho na maior parte do tempo à distância outras empreitadas que considero maravilhosas. É o caso do pessoal do Base Rock e da Gang da 13, por exemplo, que sou fã assumido tanto das bandas que ele reuniram, quanto de quem organiza e dá a cara pra bater. Contudo, a experiência de ver a coisa acontecendo, dia após dia, semana após semana, mês após mês, abre os nossos olhos para muitas coisas. Pude vivenciar isso com a The Ace Of Spades Rock Party por alguns meses. Ver a dinâmica, os altos e baixos, as dificuldades e as opiniões de público, estabelecimento e organizador diretamente dos mesmos, foi algo que me fez ter uma visão um pouco melhor como fã e mídia alternativa de Rock.

Posto isso, nada mais justo que com a 20ª The Ace Of Spades Rock Party, eu fizesse ao menos uma entrevista com Rodrigo, idealizador do projeto. Vamos adiante.

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Guitar N Roll

1 – De onde veio a ideia da festa e do nome escolhido?
Rodrigo Branco: A ideia da festa veio da necessidade de abrir espaço para as bandas. Agora, felizmente, eu tenho visto mais iniciativas nesse sentido, mas até o ano passado estava difícil achar um lugar que desse espaço para as bandas com trabalho autoral. Eu acho importantíssimo incentivar isso, porque senão vamos ficar eternamente só tocando cover e é isso que está ajudando a matar a cena. Como eu tenho contato com bandas, conheço e recebo muito material, vejo que tem bastante coisa legal. A ideia era abrir espaço não apenas para as bandas de trabalho autoral, mas também que fosse uma casa bem localizada, no caso na Rua Augusta, não em um local fora de mão – e também em uma data boa. Normalmente só dão espaço pra autoral de domingo até 5ª feira. Numa 6ª ou sábado à noite é muito difícil. Eu consegui esse espaço no Spades na 6ª à noite e achei que seria uma coisa legal. Um espaço para as bandas na Augusta, um local que já tem público, já tem o pessoal do Rock. Quanto ao nome, veio a partir da junção do nome do lugar (Spades Café SP) com o lance da minha afinidade com o Motörhead. Acho que coincidiu até por eu ter uma tatuagem do ás de espadas no braço que é o símbolo da casa também, então achei que era um nome adequado.

2 – Como tem sido o feedback da festa? Como você analisa esse retorno?
Rodrigo Branco: Como tudo em Rock hoje em dia, o retorno fica abaixo da expectativa sempre. Das 19 festas feitas até hoje, poucas festas tiveram o retorno que a gente esperava. Acho que só uma surpreendeu e teve mais retorno do que o esperado. O feedback ainda é negativo, infelizmente. Talvez possa melhorar, mas até hoje fica devendo. Falta interesse e presença do público em geral mesmo: fãs e bandas. As pessoas falam muito que precisa ter espaço, mas quando tem esse espaço elas não valorizam como deveriam valorizar.

Aletrix E Rodrigo Branco

Aletrix e Rodrigo Branco

3 – Com tudo isso, qual fica sendo o objetivo da festa nesse contexto?
Rodrigo Branco: Então, o objetivo é não apenas dar espaço, como fomentar a cena. Em 6, 7 meses de festa, são 20 edições, quase 40 bandas diferentes. Dessas, duas eram covers variados e houve uma noite em que tivemos Ramones cover e um Nirvana cover, ou seja, dois covers específicos, mas de bandas que já não existem mais, isso é importante e acho que faz diferença. Tirando isso, são 36 bandas diferentes de som autoral, é bastante coisa. A intenção também é essa: criar um hábito de termos uma festa que sempre vai ter banda autoral tocando lá. Bandas boas, modéstia à parte. Sei que estou julgando muito pelo meu gosto pessoal, mas como eu conheço alguma coisa, evidente que eu não ponho qualquer banda. Ouço antes, vejo se é legal. Outra coisa é que a minha intenção como DJ não é ficar tocando somente as músicas de sempre, como em qualquer outra festa de Rock que você vá. A ideia é colocar músicas diferentes dos artistas conhecidos e também de outros que não tocariam em uma discotecagem normal. Quantas vezes eu estava tocando e as pessoas vieram até mim falando “porra, que som legal, não conhecia, nunca ouvi isso em lugar nenhum”. Embora seja muito difícil de se gerar esse sentimento, tive esse retorno. É um objetivo parcialmente alcançado. Mas eu sei que isso, criar esse hábito, ainda vai levar muito tempo.

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Punch N Roll

4 – Você comentou sobre o seu set e as pessoas sempre falam disso. É uma coisa sua e você tem nisso uma parte significativa da sua identidade como DJ, esse fugir do “mais do mesmo”. Você fez questão de seguir montando seus sets dessa maneira? Como formatou isso?
Rodrigo Branco: Sim, sem dúvida. Minha intenção em qualquer festa que eu faça, é sempre apresentar alguma coisa diferente, fugir do clichê, porque acho que o clichê é um saco. A gente já vive uma vida de rotina em tudo. Você liga o rádio e estão tocando as mesmas músicas de sempre, na TV as mesmas músicas, em qualquer lugar. Então é legal modificar, mas eu sei que nem sempre isso é possível, principalmente quando você tem um viés comercial. Por isso que o rádio repete as músicas, televisão também, enfim, porque de certa forma as pessoas estão habituadas a ouvir o de sempre. Até por isso o cover faz muito sucesso na noite. A pessoa quer sair e ouvir aquilo que ela está habituada. Se você mostra algumas coisa diferente, muitas vezes ela não consegue se divertir com aquilo. Pra mim isso é estranho, porque eu gosto de música, então eu não preciso exatamente conhecer aquele som para curtir. Ainda assim, acho que você pode apresentar várias coisas que as pessoas conhecem – senão todo mundo, alguns vão conhecer – ou algo que ninguém conheça mas que vão se identificar de imediato. Nas minhas festas é claro que eu tento fazer algo que vá agradar quem estiver ouvindo, não sou egoísta, nunca fui assim no rádio e nem nas festas. Eu discoteco para o público, mas procuro entender o gosto dele e também fugir do óbvio. Essa festa como tem bandas, eu tento ver o que vai rolar e seguir um padrão. Se tem bandas punks, vou tocar punk, se tiver metal, vou tocar metal, se rolar pop, toco pop, seguindo o público que elas chamam pra não conflitar. Só que nenhuma festa eu deixo monotemática, gosto de variar entre estilos e épocas. Venho dos anos 50 até hoje e volto, mas faço uma coisa gradativa. Procuro não dar saltos, mas é claro que às vezes você pula de uma época pra outra porque as músicas combinam. Tento combinar por estilo, ou por época ou pelas duas coisas, mas nunca conflitar, digamos, um Punk com Progressivo. É preciso dar uma costurada.

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Rock N Style

5 – Já conversamos sobre isso algumas vezes e vale perguntar: como você observa a frequência com que ouve bandas autorais novas e clássicas, sejam nacionais ou internacionais? Como isso afeta sua dinâmica como profissional da noite, de comunicação e especialista de Rock?
Rodrigo Branco: Como eu trabalho com isso diariamente, ouço música o tempo inteiro. Quando estou em casa e tenho um momento meu, a tendência é querer ouvir alguma coisa diferente. O clássico é o clássico, está lá eternamente pra gente ouvir. Tem algumas coisas novas que você precisa ouvir naquele momento, porque estão aparecendo ali e é interessante você saber agora, porque às vezes a coisa passa e se você não ouvir naquele momento, talvez você não ouça nunca mais. Eu ouço coisa nova com bastante frequência, todos os dias. Eu recebo muito material de banda e quando não recebo, estou procurando. Acho que as redes sociais têm essa função muito interessante que as pessoas não aproveitam. Passo um bom tempo no Facebook e muita gente diz “hoje em dia as pessoas perdem muito tempo com essa porcaria, essa bobagem de Facebook”, só que não é bobagem, não. Eu uso o Facebook como uma ferramenta de informação, então eu recebo muito material de todos os tipos e o tempo todo. Toda hora alguém indica alguma banda, os próprios músicos e eu fico sempre ligado. Quando ouço algo novo, incorporo ao meu conhecimento. Eu consigo curtir uma música nova, às vezes na hora, às vezes não. Acontece de você precisar se familiarizar, mas muitas vezes também conseguir gostar direto. Um dia postei no Facebook: peguei um álbum de uma banda que eu não conhecia, coloquei sem expectativa, que é o ideal. Na verdade achei até que não fosse gostar. Dei play e fui fazer outras coisas, distraído. Estava lá arrumando as coisas e de repente me peguei fazendo air guitar, então me liguei que já estava agitando ao som da banda. As pessoas precisam ter mais essa postura: ouvir e sentir a música, independentemente de já conhecerem ou não o som, sem julgamentos prévios.

6 – Que conselhos você daria para DJs e bandas que atuam ou querem atuar nessa área?
Rodrigo Branco: Profissionalismo sempre, em tudo. Se tocar com outros DJs, estar atento aos sets dos DJs anteriores para não repetir. Já aconteceu de eu repetir? Sim, por eu chegar depois, por estar em outro evento, por chegar em cima da hora, mas o ideal é ficar atento a isso. Acontece também no caso de estabelecimentos muito grandes, com sons em outros ambientes, mas mesmo assim precisa ficar ligado. E você percebe que tem gente que ouviu o que você tocou, mesmo assim repete e acha que não tem nada demais. Eu não repito nem a banda, acho chato. “Ah, mas era outra música” só que não importa, tocou aquela banda agora há pouco, tem tanta coisa que você pode tocar, você vai tocar a mesma? E quando uma banda vai tocar ao vivo, se for trabalho próprio, tudo bem. Já se for banda cover, eu procuro ver o setlist dos covers pra não correr o risco de tocar algo que vai ser ou que foi tocado na mesma noite. Prestar atenção nesses detalhes, não invadir o tempo alheio e tão pouco sair antes do seu horário. Esse tipo de coisa.

Punk N Roll

Punk N Roll

7 – Rodrigo, você é conhecido por “não negociar com terroristas” em se tratando de não abrir mão do que é certo em prol de um falso bom convívio – traduzindo, bater de frente com o que está errado, assumindo com isso todos os méritos e pedradas. Como as coisas deveriam funcionar na noite e como elas funcionam de fato? E como é que você se sente, sabendo que muitos usam essa ideia do “não se queimar”, baixando a cabeça para coisas erradas por receio, enquanto você faz o oposto?
Rodrigo Branco: Ah, velho eu me sinto meio isolado na verdade porque é difícil você ter esse tipo de postura. A maioria das pessoas não tem e se incomoda com a sua postura, isso é um problema. O que eu acho que falta é respeito antes de mais nada. Respeito ao profissional e fazer o que é certo. Combinado é combinado. Às vezes você combina uma coisa, mas na hora “não é bem isso”. Ou quando você tem um problema no local onde está tocando e o pessoal de lá caga e anda pra isso. Um problema do tipo: furtaram um equipamento seu e ninguém está nem aí. E eu não estou falando só de mim, estou falando de outros DJs que eu conheço em diversas casas onde isso já aconteceu e na hora em que você fala, os responsáveis pela dizem “a gente não pode fazer nada”. Também rola de você combinar com um organizador de festa um valor X de cachê, mas depois ele falar, “depois te pago porque não recebi da casa”. Aí você fica esperando e ele não te paga. Você vai cobrar da casa e falam pra você cobrar do cara, ficam os dois empurrando e você fica de otário nessa história. Então às vezes falta enxergar além de tudo, que eles estão trabalhando, no meu caso, com um profissional de mídia. Quando alguém me chama pra discotecar, eu não sou besta, eu sei que muitas vezes estão me chamando pela minha condição de locutor da Kiss FM. Chamam porque querem a divulgação que eu possa, eventualmente, fazer de graça do negócio. E também porque isso pode dar algum status, ter o locutor de uma rádio conhecida discotecando (sendo que eu normalmente cobro o mesmo valor que todo mundo cobra pra tocar). Só que se esquecem que na hora que pisarem na bola comigo, da mesma forma que eu posso fazer uma boa divulgação, posso fazer também uma má divulgação. Não é nenhum tipo de vingança, é uma coisa que acaba sendo até natural, as pessoas vão te perguntar, vão querer saber porque você não trabalha mais lá, enfim.

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Attitude N Roll

8 – Pra encerrar, o que você acha que falta para o Rock no Brasil voltar a ocupar uma posição de status como aquela que já ocupou há muitos anos? Claro, como ele já foi de fato seria um sonho, mas dentro do mais próximo possível, qual seria um possível caminho?
Rodrigo Branco: Faltaria voltar no tempo, né? Não tem mais como, é outra época, a gente teria que mudar tudo. Porque o Rock não está mal só aqui, é no mundo todo, não tem mais aquela força que tinha antes. Aqui acho que falta um pouco de interesse do público, sair um pouquinho da zona de conforto, dar uma variada nos gostos, prestar atenção no que está sendo feito, parar com essa coisa de ficar esperando aparecer na mídia. As pessoas precisam consumir, ouvir o disco da banda nova, ouvir o mp3 e comprar o disco, ir aos shows ou que não comprem nada, mas que ouçam, que gostem, foi assim que as coisas sempre aconteceram. Só que antes havia o interesse da grande mídia, não adianta ficar só falando no âmbito das rádios especializadas, porque a Kiss está aí, a 89, mas o Rock só fez sucesso mesmo fora do circuito underground, a partir do momento em que foi abraçado pela grande mídia. Passou a tocar na grandes redes de televisão, rádios populares, só que isso não vai mais acontecer. Então as pessoas precisam conhecer as coisas por elas próprias, parar de ficar esperando que aconteça. Hoje em dia eu identifico dessa maneira: as pessoas esperam a música fazer sucesso para depois decidirem se elas gostam ou não. Deveria ser ao contrário. A pessoa ouvir e falar “isso aqui é legal”, começar a curtir e ir ao show, independente de estar cheio, se vai ser sucesso. Falta o público mudar de postura, parar de só criticar, ficar falando que o Rock brasileiro morreu. Não adianta ficar revoltado porque o Restart falou que foi a última banda relevante de Rock no Brasil, se a pessoa nem consegue citar 3 bandas novas legais que tenha ouvido em menos de 10 anos. Isso é culpa de quem? Só da mídia? Você vai ficar sempre culpando o outro? Você também não teve interesse, vai dizer que não viu esse tempo todo uma banda interessante que foi mostrada? Hoje em dia o veículo principal é a Internet, só que as pessoas não estão interessadas, elas ficam esperando a coisa fazer sucesso. Pela grande mídia não vai mais, então tem que ser por cada um mesmo.

E foi assim que terminamos essa conversa que poderia levar horas e dias. Não, não me esqueci de falar da 20ª The Ace Of Spades Rock Party. A pancada vem bonita nessa 20ª edição, com Stoneria e Vento Motivo.

Logo da banda Vento Motivo

Vento Motivo

A Vento Motivo conta com 15 anos de história, 4 discos lançados, sendo formada por músicos com uma longa carreira, como o guitarrista Kim Kehl, na ativa desde os anos 70. Ele já tocou com Lírio de Vidro, Made In Brazil, Nasi & Os Irmãos do Blues, entre outros. Um claro sinal de que eles sabem muito bem o que estão fazendo.

E com quase 10 anos de estrada, músicos experientes, centenas de shows no currículo, 1 EP e 1 disco lançados, junto com eles vem a Stoneria, que como o próprio nome diz, é rock pesado, com muita pegada e boas letras em português.

Logo da banda Stoneria.

Stoneria

Completa a noite no Spades Café SP, naturalmente, o DJ Rodrigo Branco, radialista e produtor da Kiss FM.

Fontes & Referências:
Página da festa: https://www.facebook.com/theaceofspadesrockparty
https://brancojukebox.wordpress.com/
http://www.ventomotivo.com.br/
https://www.facebook.com/ventomotivo
http://stoneria.com/
https://www.facebook.com/stoneriarock

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Spades Café SP – Rua Augusta, 339 – Consolação – São Paulo/SP

B.B. King

B.B. King

Como se despedir do próprio Blues? Não que não tenhamos alguns poucos mestres ainda vivos, mas como dizer adeus a Riley Ben King? Como dar adeus ao homem que era ele mesmo a personificação do Blues? Como encarar o mundo da música órfão de Sua Majestade, B.B. King?

Sua carreira começou como Beale Street Blues Boy, depois tornou-se Blues Boy King e finalmente B.B. King. O homem capaz de tocar todos os nossos sentimentos com apenas uma ou duas notas. Com sua famosa Gibson ES-355s, a charmosíssima Lucille, e sua voz envolvente, sincera, doce e amarga, triste e linda, Mr. King contou muitas e muitas histórias. O homem que cantou, tocou, sofreu e encantou a todos pelo Blues e para o Blues, começou em 1948 e nunca mais parou. Até a noite de ontem, quando o Universo achou por bem levá-lo de volta a um lugar melhor.

O guitarrista que melhor sintetizou o adagio “menos é mais” no mundo da música. O artista que validou irrefutavelmente a máxima de que “a simplicidade é o último estágio da sofisticação” – e com uma humildade admirável. Aliás, humildade e talento encontraram pelas mãos e pela voz desse garoto nascido no Mississipi, durante um período que em nada favorecia os negros nos Estados Unidos, a chance de mostrar ao mundo que a despeito de todas as dificuldades, o Blues também coroaria uma lenda. Um mito. Um Rei.

Segundo o próprio King Of The Blues, essa foi uma de suas melhores performances. Minhas lágrimas não me permitem discordar.

B.B. King Lucille

Na História do Blues existem os bons, existem os muito bons, existem os impressionantes. E existe B.B. King.
Hoje à noite, Lucille chora em silêncio. Para sempre.

Fontes & Referências: http://www.bbking.com/

SUN & MISCONDUCTERS

SUN & MISCONDUCTERS

Na 14ª edição da The Ace of Spades Rock Party, que rola sempre no Spades Cafe SP, com mais duas bandas com excelente material próprio lançado, em português e inglês. 27º e 28º nomes inéditos em nossa festa: SUN e MISCONDUCTERS!

SUN – Inicialmente conhecida como Sunsarah, a banda foi reformulada e em 2013, após algumas mudanças, seguiu adiante rebatizada como SUN e já lançou um disco com a nova formação, o SUN I. Já escrevi algumas vezes sobre a banda e fui em alguns shows. São músicos realmente experientes, criando arranjos muito acima da média, letras incrivelmente bem escritas e produção impecável . A SUN é formada por: Marco Leão (Vocal), Alan Dias (Guitarra & Vocal), Paul Martins (Guitarra & Vocal), Mauro Mattosinho (Baixo) e Beto Patressi (Bateria).
http://www.sunoficial.com.br/
https://www.facebook.com/bandasun
https://soundcloud.com/bandasun

MISCONDUCTERS – Formada em 2008, em Londres, Inglaterra, a MISCONDUCTERS já tem 3 discos lançados, 4 EPs e evidentemente uma longa história. A banda já tocou em palcos ingleses ao lado de nomes lendários como Discharge, English Dogs e vários outros, tem resenhas em sites e revistas da Europa, EUA e Brasil. A MISCONDUCTERS é formada por: Den (Guitarra e Vocal), Brisa (Baixo) e Vitão (Bateria).
http://www.misconducters.com/
https://www.facebook.com/Misconducters
https://misconducters.bandcamp.com/album/boundless

Serviço:
14ª THE ACE OF SPADES ROCK PARTY
Facebook da 14ª edição: https://www.facebook.com/events/753103788144314
Discotecagem com Rodrigo Branco (DJ, locutor/apresentador/produtor, KISS FM)
Dia: Sexta-feira, 15/05
Hora: A partir das 23h30
Entrada: MULHERES – R$ 10 / HOMENS – R$ 15
Onde: SPADES CAFE SP
Endereço: Rua Augusta, 339
https://www.facebook.com/spadescafesp

5º The Ace Of Spades Rock Party: ALETRIX & EMICAELI
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Vocês se lembram quando não era raro e muito menos crime o Rock ter letras inteligentes e engraçadas, aliadas a harmonias e arranjos muito bem pensados? Felizmente ainda há músicos de atitude que não pensam que o Rock só pode girar em torno de capetas, pentagramas e mais capetas. Inteligência e humor estão presentes em todas as músicas.

ALETRIX – Sério, eu quase passei mal de tanto rir com algumas letras, muito engraçadas mesmo. E o lado musical não fica nada atrás, muito pelo contrário! Como está no próprio Facebook do Aletrix: Post-Punk, 90’s Indie, Rockabilly. E Pop Barroco. Olha, ele que colocou essa última influência lá e eu fiz questão de repetir para vocês terem uma breve noção da loucura reinante na cabeça do talentosíssimo Ale – vocalista, guitarrista, compositor e multi-pirado que empresta seu apelido à banda. Não é por acaso que seu disco foi considerado um dos melhores do ano quando foi lançado. Os elementos que mais me chamaram a atenção, foram realmente algo transita entre o Pós-Punk e o Rock Alternativo dos anos 90.

10405606_254923158047200_4201549150735628707_nConversei com o Aletrix brevemente numa outra edição do The Ace Of Spades Rock Party (ele foi prestigiar outras bandas e fui apresentando a ele pelo próprio Rodrigo) e o sujeito é simplesmente um dos músicos mais simpáticos e divertidos que já tive a chance conversar na noite. Em outro momento vou falar do seu trabalho com mais detalhes. Bom, alternando entre momentos pesados e outros mais leves, essa é uma das melhores músicas e uma das mais letras mais engraçadas do disco Herpes Aos Hipsters: Ele É Mais Qualificado.

EMICAELI – A banda completa a noite com seus quase 20 anos de Rock experimental, mesclando Metal, Grunge e Punk numa tremenda porrada sonora. Todo esse experimentalismo, temperado com improvisos e peso, conferem uma identidade bastante interessante à banda. Parece que você está num carro a 400km/h e o mundo todo lá fora em câmera lenta. E pelo que pude perceber, a estrada da banda já os levou para fora do Brasil, tocando em alguns shows na Europa. Pelo visto vai ser uma noite bem original no The Ace Of Spades Rock Party. ROCK ON!

THE ACE OF SPADES ROCK PARTY
https://www.facebook.com/theaceofspadesrockparty
Discotecagem com Rodrigo Branco (DJ, locutor, apresentador e produtor da Rádio KISS FM)
Matéria sobre a festa no blog do Rodrigo: https://brancojukebox.wordpress.com/2015/03/04/fortalecendo-a-cena-sexta-tem-mais/
ALETRIX: https://www.facebook.com/AletrixOficial
EMICAELI: https://www.facebook.com/emicaeli
SPADES CAFÉ SP
Rua Augusta, 339
https://www.facebook.com/spadescafesp
Sexta, 06/03
A partir das 23h30
Entrada R$ 15,00 (Mulheres VIP até 1h)
Evento: https://www.facebook.com/events/887939491251521/