Um ano sem Ronnie James Dio: Homenagem a um dos Deuses do Metal

Há 1 ano falecia vítima de câncer no estômago, Ronald James Padavona, um dos Deuses-Reis do Heavy Metal, aquele que conquistou seu lugar perene na história da música, mais conhecido por todos como Ronnie James Dioou simplesmente Dio. A matéria a seguir foi escrita e publicada por mim no dia de seu falecimento em 2010. Recordo-me da comoção e cumplicidade explicitada ao longo desse dia entre nós, fãs da obra e do homem que ele foi e sempre será em nossas memórias. Na época quando dei por mim, estive acordado por mais de 72 horas consecutivas, conversando com dezenas de fãs ao redor do mundo por e-mail, Orkut, Facebook, Twitter e por aí vai. Eu simplesmente não conseguia dormir ou comer, e topava com fãs nas mídias sociais sentindo exatamente o mesmo que eu. Muitos vinham conversar, chorar, se lamentar e por incrível que pareça, no meio de tanto sofrimento, foi algo bonito de se ver o quanto a arte de Ronnie tocou nossos espíritos. De repente minha tristeza se transformou em alívio por ver que a semente que ele plantou no mundo do Rock, pôde fazer florescer mesmo nos mais duros corações, a coragem de deixar a tristeza transbordar pelos olhos sem medo de julgamentos ou zombarias…as pessoas diziam abertamente “…estou em prantos, que se dane, porcaria…ele era nosso ídolo maior, a voz de legiões do Metal, não paro de chorar…”. Eu mesmo fui um desses e honestamente não me recordo de chorar tanto pela morte de um ídolo. Algumas conversas se prolongaram por horas e essas horas tornaram-se dias. Passados esses primeiros 365 dias sem Dio, The Voice of Metal, o que mudou no cenário Rock para melhor? Talvez ainda seja demasiado cedo para afirmar algo mais contundente, mas uma coisa é certa: jamais haverá outro Ronnie James Dio!!! \m/

Sem mais delongas, segue abaixo a tal matéria do qual lhes falei logo acima

“Esse homem simplesmente esteve presente em algumas das maiores e mais legendárias bandas de Rock do mundo e compôs inicialmente alguns hinos do Hard Rock clássico. No entanto sua existência se tornou de fato indelével por toda a sua incalculável contribuição ao Heavy Metal. Gravou seu primeiro disco na banda ELF em 1972, com a qual permaneceu até 1975.

Primeiro disco da banda ELF, lançado em 1972

Ainda em 1975 juntou-se à outra lenda do Rock, o guitarrista Ritchie Blackmore (tão famoso quanto o Deep Purple, banda na qual deixou sua assinatura musical) em sua banda Rainbow, tendo gravado obras de arte, como as músicas Long Live Rock ´N Roll, Man On The Silver Mountain, Gates of Babylon, Rainbow Eyes, Kill The King, Stargazer, Still I’m Sad, The Temple of the King, Catch the Rainbow entre outras.

Long Live Rock ´N Roll

Como puderam notar no vídeo, essa música é um dos pontos altos da carreira do Rainbow, assim como era nos shows de Dio. É o hino de mais de uma geração do Rock e sempre será.

Ritchie Blackmore’s Rainbow lançado em 1975

 Em 1980 foi chamado para substituir outro Deus do Rock, Ozzy Osbourne, no igualmente legendário Black Sabbath. Com o Sabbath gravou os álbuns Heaven and Hell, Mob Rules, Live Evil (disco ao vivo eu normalmente passo batido, mas esse é daqueles que vale ser sempre citado), Dehumanizer, além da coletânea lançada em 2007 relativa à sua fase na banda, Black Sabbath: The Dio Years.

 Neon Knights

Entre os muitos clássicos que compôs como membro do Sabbath, podemos e devemos destacar: The Mob Rules, Neon Knights, Children of the Sea, Turn Up The Night, The Sign of the Southern Cross, Country Girl, Voodoo, Heaven and Hell, Wishing Well, Lady Evil, TV Crimes…..pois é caros leitores, muitos clássicos do Metal vieram a público pela voz e genialidade desse pequeno titã que nos deixou.

Black Sabbath: Heaven and Hell lançado em 1980

Black Sabbath: Mob Rules lançado em 1981

Após sair do Sabbath (retornou e tornou a sair, enfim……idas e vindas do mundo do Rock), Ronnie montou sua própria banda que batizou simplesmente com o seu nome artístico: Dio. Como se já não bastasse tudo que criara até então, em 1983 lança o álbum Holy Diver, inaugurando mais uma genial fase de sua carreira.

Dio: Holy Diver lançado em 1983

The Last in Line 1984, Sacred Heart (1985), Dream Evil (1987), Lock Up The Wolves (1990), Strange Highways (1994), Angry Machines (1996), Magica (2000), Killing The Dragon (2002), e Master Of The Moon (2004)…..e não, não citarei as inúmeras coletâneas e lives pois Ronnie James Dio nunca precisou delas para estar em evidência.

Don´t Talk To Strangers


De sua carreira solo são muitas que valem a pena ouvir e ouvir novamente: Holy Diver, The Last In Line, Don’t Talk to Strangers, Rainbow in the Dark, Stand Up and Shout, We Rock, I Speed at Night, Evil Eyes, Egypt (The Chains Are On), Rock ‘N’ Roll Children, King of Rock and Roll, Sacred Heart, Wild One, Lock up the Wolves, Strange Highways, Golden Rules, Hunter of the Heart, Killing the Dragon, Along Comes a Spider, Push, Master of the Moon e One More for the Road.

Dio: The Last In Line lançado em 1984

O que tivemos de mais recente, foi a banda montada entre ele e seus ex-companheiros de Black Sabbath: Tony Iommi, Geezer Butler e Vinny Appice. O nome escolhido para o grupo foi Heaven & Hell, em referência direta ao disco de 1980 com o mesmo nome – não por um acaso com a mesma formação dessa “nova” banda – lembrando que esse disco se trata de um dos divisores de águas do Metal.
O único álbum lançado pelo velho-novo grupo foi The Devil You Know (2009), onde percebemos todos os elementos que ajudaram a compor a identidade e maturidade musicais de cada integrante desse quarteto.
Quem conhece a história do Rock e mais especificamente do Heavy Metal, sabe a magnitude e importância da voz de Dio: potente, incansável, afinada e inigualável como poucos conseguiram ou conseguirão.
Sua morte não encerra um mero capítulo na história da música, na verdade encerra um imensurável livro da História do Rock e do Heavy Metal.

Ronnie James Dio

É impressionante como alguém aos 67 anos de vida, parte após ter feito tanto, ter se tornado tudo que vimos por décadas, ter realizado tantas coisas, ter arrebanhado uma legião de fãs pelo planeta….e mesmo com tudo isso, ficamos com aquela sensação esquisita de que havia ainda muito a ser feito em sua carreira, que mesmo depois de tudo com que nos presenteou, tenhamos ficado com um sentimento de “Mas e o resto? E o final da história Dio? Vai embora sem nos contar?”

Talvez seja um ato inconsciente de egoísmo extremo de nossa parte, querer que Ronnie James Dio se tornasse imortal para continuar compondo, gravando e excursionando para nós eternamente. Narrando aventuras, bradando feitos, enfeitiçando seus exércitos, tudo para nos entreter e nos transportar ao mundo do Rock, onde todos podemos ser inacreditavelmente corajosos, fortes, descolados, destemidos e valorosos. Onde somos invencíveis e podemos até voltar dos mortos…..e nesse momento, quem nos dera fosse isso possível.
Talvez seja tão somente uma profunda tristeza tentando se camuflar em uma pseudo-bravura inconformada de fã.
Ou quem sabe ainda, uma sincera revolta de rockeiro, que diante de tantos novos “artistas” que primam pela total falta de qualidade e conteúdo, se vê obrigado a enterrar um dos últimos e fiéis bastiões da boa música, do Rock ´n Roll, do Metal e da dignidade artística e humana.

É o final de uma história estranha de se absorver pois parece que o narrador era também protagonista e foi abatido antes de narrar seu próprio fim – como se pudesse ser isso possível, como se fizesse parte da magia que cercou sua vida.

Cabe-nos agora saber aceitar não o fim, mas o merecido descanso do homem que escolheu seu próprio nome, nos deu alegrias e bons momentos com sua letras, sua canções e demonstrou toda a sua força de vontade até o final, até o seu último suspiro, até a última batida de seu bravo e experiente coração.

Nas últimas semanas muito se falou de sua luta contra o câncer: fãs rezaram, amaldiçoaram, esbravejaram, beberam, se reuniram para ouvir seus discos….e agora todos se emudeceram diante do final. O derradeiro silêncio de uma grande voz, calou todas à sua volta.

O que eu li e o que eu sei, é que ele não se entregou em momento algum, não se rendeu, não se acovardou e não recuou. Sua esposa Wendy Dio testemunhou tudo do começo ao final, o que ao meu ver denota também muita Força e Coragem…..muito mais do que muitos teriam. Obrigado por toda a sua atenção e carinho Wendy, mesmo diante de tamanha adversidade…seja forte pois estamos contigo, muitos ao redor do mundo lhe são também muito gratos.

Diante disso, quando em algum momento nossos corações pesarem por ele, pensem o seguinte: não morreu simplesmente, na verdade foi digno, merecedor e corajoso o suficiente para ir se aventurar e cantar em outros lugares, todas as noites e por toda a Eternidade.
Sim, façamos uso de um pensamento fantasioso para tornar tudo mais fácil, tão fantástico quanto os mundos de fantasias que ele nos ofertou com toda a sua sinceridade.

Dio foi ter pessoalmente com seus muitos personagens de suas canções….seus Cavaleiros, Dragões, Reis e Rainhas……e por tudo que fez pelo Rock, deve ter salvo conduto e trânsito livre com suas legiões…..tanto no Céu….quanto no Inferno.

“….They say that life’s a carousel,

Spinning fast, you’ve got to ride it well

The World is full of Kings and Queens

Who blind your eyes and steal your dreams

It’s Heaven and Hell…..”

R.I.P. Ronald James Padavona

LONG LIVE RONNIE JAMES DIO!!!!

Fontes: http://www.ronniejamesdio.com/

E também meu humilde acervo pessoal de álbuns de Rock.

Essa matéria foi redigida e editada relutantemente por incontáveis vezes ao som de todas as músicas citadas no texto”
:cry: E essa foi a maneira que encontrei naquele dia para tentar me despedir de Ronnie James Dio, minha mais importante referência enquanto vocalista e fã de Metal…mas por mais que o tempo passe, tanto quanto o peso de sua voz e de sua importância para o mundo do Rock, permanece minha voz embargada pelo esmagador peso de sua ausência…😦 \m/

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