Live Metal Fest II: Como foi a Sexta-feira Santa no Inferno?

Quem passou a sexta-feira Santa no Inferno Club teve um experiência bastante válida. Por que? Pelo seguinte: Live Metal Fest II.

Um trabalho sério com 6 bandas autorais brasileiras. Metal do começo ao fim. Até então, das bandas que se apresentaram, eu só tinha assistido à Holiness ao vivo. Não vou mentir pra vocês, só tinha ouvido duas das outras cinco, não sou o maior fã de Metal mais extremo – que era o caso das mesmas – mas ainda assim preciso dizer: não fiquei nem um pouco desapontado. Muito pelo contrário.

Lotou? Não, não lotou. Infelizmente. Mas também não estava nem um pouco vazio. Quem esteve lá sabe muito bem do que estou falando. Evidente (ou não tão evidente) que ao longo do show tive muitos momentos reflexivos quanto à cena Rock do Brasil. Estrutura, apoio, divulgação, mentalidade do público… bem, um sem número de fatores que discutiremos nessa e nas próximas matérias.

Retomando o Live Metal Fest II, o que vimos foi o seguinte: bandas muito boas, músicos gabaritados e super empenhados, mas a parte da estrutura de som um tanto irregular por parte dos organizadores e da casa – que aliás, muito admiro, respeito e defendo.

Stefanie Schirmbeck Vocalista Holiness

Stefanie Schirmbeck

HOLINESS

A primeira banda foi a Holiness, a única que eu já conheço a fundo e sei de cabeça praticamente todos os arranjos. São grandes músicos, fato incontestável.

O que me deixou particularmente incomodado, foi constatar que a despeito da boa vontade e compromisso dos organizadores, o som quase comprometeu a apresentação da banda em vários momentos. Não em relação à execução, mas no que diz respeito à qualidade do equipamento de som disponível para as bandas. Não fossem Stefanie Schirmbeck (vocal), Cristiano Reis (bateria), Fabricio Reis (guitarra) e o novo baixista, André Martins, excelentes músicos, não teriam conseguido contornar tanto quanto possível os problemas do som em vários momentos. 

André Martins baixista da banda Holiness

André Martins

Cristiano Reis baterista da banda Holiness

Cristiano Reis

Fabricio Reis Guitarrista da banda Holiness

Fabricio Reis

Nessas horas vemos o quanto disciplina, horas e mais horas seguidas de estudos e ensaios separam amadores de profissionais. Ainda fico impressionado com o domínio, lucidez e a presença de palco da banda – e não é papo de fã, não.

Holiness no Live Metal Fest II

Holiness: Live Metal Fest II

 Aliás, como de costume Stefanie consegue “ler” e conduzir o público. Todos estavam longe do palco e ela não se fez de rogada, disparando logo após o final da primeira música: “(…) Está vazio aqui na frente, cheguem mais perto, galera!” – Timidez coletiva prontamente resolvida. Aquela menina pequena e delicada, além de uma tremenda voz (e que graças a isso conseguiu driblar o som precário por diversas vezes), tem mais ou menos uns 3 metros de altura em cima de um palco, ou seja, moral que não acaba mais.

HAMMATHAZ

Não tenho muitas fotos dessa banda. Na verdade, pude aproveitar apenas uma e não está lá essas coisas, mas por um motivo que me causou certo orgulho alheio: o público abriu uma roda bastante empolgada e eu não poderia disputar espaço com um câmera na mão. E isso me deixou muito feliz, acreditem.

Hammathaz no Live Metal Fest II

Hammathaz

O vocal abissal de Jr Jacques, somando-se a0s arranjos agressivos dos caras e mais uma quantidade razoável de fãs ensandecidos, pulando pra todo lado e de todo jeito são a fórmula perfeita para um show extremo no palco E fora dele – e tudo sem violência, ok? O Hammathaz pontuou muito bonito em todos os quesitos.

Forka no Live Metal Fest II

Forka: Live Metal Fest II

FORKA

 Eu achei que iria dar uma respirada, mas não rolou. Quando o pessoal do Forka pisou no palco, foi como se tivessem tocado o gongo novamente, reiniciando a luta.

Ronaldo Coelho vocalista do Forka

Ronaldo Coelho

Ronaldo Coelho trucidando o público nos vocais, peso de sobra, qualidade idem, todo mundo surtando, mas novamente o equipamento da casa começou a comprometer o bom andamento da coisa.

Forka no Live Metal Fest II, no Inferno Club

Forka: LMF II

A tal ponto, que após consecutivas reclamações da banda dirigindo-se à mesa de som, acharam por bem encerrar a apresentação um pouco antes do previsto. Ainda assim, mesmo com esses problemas, não posso falar que a performance dos caras foi menos do que impressionante.

Marcelo Carvalho da banda Trayce no Live Metal Fest II, no Inferno Club

Marcelo Carvalho

TRAYCE

 Essa banda foi muito bem recomendada por algumas pessoas do próprio público. Marcelo Carvalho é um vocalista a ser muito respeitado, seja ou não você um fã da banda. Mais um excelente trabalho que transpira peso, qualidade e garra, tendo o público na mão do começo ao fim.

 

Trayce no Live Metal Fest II, no Inferno Club

Trayce

Quanto mais eu conheço bandas, mais vejo que não conheço bandas o suficiente. Vocês, fãs e pensadores do Rock, poderiam fazer a mesma coisa e começar a frequentar festivais de qualquer porte, ao invés de ficar esperando eventos famosos trazerem suas bandas favoritas para um show pífio, caro e burocrático.

Clayton Bartalo no Live Metal Fest II, no Inferno Club

Clayton Bartalo

SCREAMS OF HATE

Olha, vou falar uma coisa pra vocês: Clayton Bartalo deve ser um dos maiores amantes de Metal Extremo que já tive a oportunidade de assistir ao vivo. Ele subiu ao palco acho que pelo menos duas vezes durante o Live Metal Fest II para dividir os vocais com outras bandas e vocalistas. E era notório que ele estava simplesmente adorando tanto quanto o público.

Screams Of Hate no Live Metal Fest II, no Inferno Club

Screams Of Hate

Quando falo de união dentro da cena Rock, é disso que estou falando. O sujeito deu o sangue pelo festival em forma de berros possessos. E a banda como um todo não deve nada a qualquer outra, largando a mão com uma precisão assombrosa.

Wash no Live Metal Fest II, no Inferno Club

Wash

COMMAND6

E quando eu tinha certeza que todos estavam exaustos e que eu não poderia me surpreender com mais nada, eis que surgem esses sujeitos comandados por Wash, um vocalista com ares de loucura e cujas qualidade técnicas só puderam ser rivalizadas pelo seu carisma e capacidade de se comunicar com o público.

Command6 no Live Metal Fest II, no Inferno Club

Command6

Essa banda assim como as outras, não brinca em serviço. Músicos talentosos, músicas furiosamente executadas e um palco que se apequenou para tamanho profissionalismo.

Festival fechado com Chave de Adamantium!

Command6

Command6

CONSIDERAÇÕES GERAIS

LMF II

LMF II

 O Live Metal Fest II é uma iniciativa fantástica e deve continuar, MAS, diante do fato de todas as bandas terem reportado problemas técnicos quanto ao retorno, é o caso de darem a devida atenção, uma vez que o público também observou questões quanto à irregularidade do som. Ouvi conversas na plateia, fiz perguntas aqui e ali junto ao público, e a despeito do bom feedback pela proposta e pelas ótimas bandas, seria bom darem uma pensada no que fazer para melhorar o som para público e para os músicos. Independente disso, quero deixar claro a todos que o Inferno Club é um lugar INCRÍVEL e mais do que recomendo que vocês conheçam e passem a frequentar cada vez mais; a casa já é referência nas noites de Rock de São Paulo há algum tempo.

Os organizadores do festival têm todo meu apoio pela coragem, pela ousadia e por darem a cara pra bater, apostando em um evento acessível ao público (R$ 20,00 por um dia inteiro) mas se eu realmente quero ajudar de alguma forma a fazer a coisa dar certo, não vai ser com falsos elogios e tapinhas nas costas que vamos esperar por melhoras.

No mais, parabéns às bandas e ao público presente. Espero que com iniciativas como essa, todos comecem a dar mais atenção ao trabalho de bandas autorais. Outro aspecto legal foi ter ouvidos comentários positivos de gente que não conhecia algumas bandas entre as músicas e após o evento. E é pra isso que servem os shows: para prestigiar e conhecer o trampo dos músicos.

Stefanie: Lady Holiness

Stefanie: Lady Holiness

Momento curioso: um garoto que estava mais ou menos perto de mim, ficou meio espantado por ter visto várias pessoas cantando junto com Stefanie, da Holiness. Ele olhava pra mim, olhava para outros fãs cantando e olhava para ela no palco novamente. Isso é bom para as pessoas caírem em si cada vez mais, refletindo sobre o que estão perdendo ao nunca terem ouvido bandas locais e/ou independentes. Não vejo problemas em que gostemos de ver bandas cover vez por outra, além daquelas consagradas na História do Rock. Vejo problemas quando as pessoas só querem ver as famosas lendas do Rock ao vivo, consideram bandas cover a salvação dos eventos e noites de Rock, mas depois reclamam que “não tem bandas novas boas no Brasil”. E quantas realmente conhecemos?

Listem mentalmente quais bandas nacionais de Rock (as recentes, por favor) vocês conheceram, ouviram ou assistiram nos últimos 12 meses e avaliem a si mesmos com honestidade. Saibam que vocês são os maiores responsáveis pelo renascimento ou pela morte da cena. Pensem nisso.

Fontes e Referências: http://www.infernoclub.com.br/

https://www.facebook.com/InfernoClube – https://www.facebook.com/livemetalfest

https://www.facebook.com/HolinessBrasil – https://www.facebook.com/hammathaz.brasil

https://www.facebook.com/ForkaOfficial – https://www.facebook.com/TrayceOfficial

https://www.facebook.com/screamsofhate – https://www.facebook.com/command6

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