SUN I: RESENHA DO CD DE ESTREIA DA BANDA SUN
SUN

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O Rock tem muitas faces ao longo da história da música. Essas faces acabam se tornando rótulos. E esses rótulos acabam induzindo as pessoas a não conhecerem bandas muito, mas muito legais. As pessoas adotam posturas para provar algo que nem elas mesmas acreditam ou sequer entendem.

Classic? Hard? Heavy? Pop? O quanto isso diz sobre a beleza de uma banda de Rock? Eu acredito no Rock como um Universo a ser permanentemente explorado – não por um acaso o nome do blog é Rock Universe – e que rótulos dentro do gênero separam muito mais do que unem as pessoas. Ninguém deve se deixar aprisionar por medo, vergonha ou preconceito, seja no que for, principalmente quando falamos de abrir olhos, ouvidos e almas para as coisas boas da vida. Nesse quesito, a música é algo tão importante que chego a não acreditar que muita gente não ouça alguma coisa todo dia. Eu adoeço se não ouvir música diariamente e isso não é modo de dizer.

“O que tem essa ladainha toda a ver com a resenha, brother?” – É que fico pensando em quantas bandas do naipe da SUN estão perdidas pelo Brasil afora. Acompanho a evolução deles há alguns anos, já fui em alguns shows, escrevi sobre os caras, conheço versões mais antigas de algumas músicas e fico pensando: que orgulho em conhecer músicos e compositores desse nível no Rock. Gente que honra a história do Rock Brasil. Não é à toa que a SUN também faz parte do projeto Base Rock.

Vamos aos fatos: recebi em mãos um CD promo da banda, o SUN I, e fiz questão de dizer “pode ser que eu demore, mas vai rolar um resenha”. E aqui estamos.

SUN I

SUN I

São 15 faixas: 1 – Preguiça; 2 – Como Um Irmão; 3 – Viver; 4 – Desde O Início; 5 – Terra Longe; 6 – O Homem Que Sabia Voar; 7 – Um Em Mil; 8 – Papo De “Não Sei O Que”; 9 – Tudo Em Volta De Você; 10 – Marvin (um cover bem nervoso da versão dos Titãs para “Patches” de Dunbar e Johnson); 11 – Se Prepara; 12 – Por Onde Andei; 13 – Terra Longe (Acústica); 14 – Tudo Em Volta De Você (Acústica); 15 – Viver (Acústica).

Preguiça

Preguiça

Preguiça” abre o disco aos poucos… e de repente enfia o pé com tudo! Como em outras músicas da banda, a letra transita por questões pertinentes a qualquer um de nós, e nesse caso, carrega um tom crítico muito interessante quanto a coisas que realmente cansam pessoas que não são acomodadas. Quanto à música em si, arranjos e vocal que te pegam pelo pé, pelo braço e um belo dia, você está andando pela Paulista, dobra descendo a Augusta e se pega cantarolando vários trechos, totalmente indentificado com cada verso.

Como Um Irmão” vem com uma pegada mais romântica e você meio que sente a evolução dos sentimentos do personagem pelo arranjo – bom, eu consegui estabelecer uma análise em paralelo, fazíamos muito isso em Letras antigamente. “Viver” me deu vontade de olhar o sol nascendo, uma puta energia bacana, arranjo inspiradíssimo, lindo demais! Falando em sol – apesar de eu não ser um grande apreciador de luz e calor intensos -, sempre que ouço “Desde O Início” imagino peripécias de esportes radicais, viajo em minhas lembranças de ex-praticante de BMX: o som é quente, empolgante, corajoso, pé na estrada.

O Homem Que Sabia Voar

O Homem Que Sabia Voar

Terra Longe” tem um tom romântico reflexivo, mas ao mesmo tempo não é triste. As músicas da SUN tem uma energia muito boa e eles nunca abrem mão da composição bem amarrada. É como se guitarra, baixo e bateria respirassem juntos e estivessem em um dueto permanente com o vocal. “O Homem Que Sabia Voar” já traz no próprio nome o elemento lúdico que eu adoro na banda. E sabem o que é mais legal ainda? Essas e outras letras são carregadas de pensamentos e questionamentos sobre quem somos e o que nos incomoda no mundo de hoje. Não quero ficar repetindo isso toda hora, mas cada nota das músicas me convence totalmente. Timing, timbres, pausas, harmonias, tudo sempre muito bem colocado, são tiros de precisão musical. A SUN não tem por hábito esparramar notas sem sentido. Eles compõem pela música e para a música, e com isso você acaba se envolvendo até sem perceber.

Um Em Mil” me leva novamente ao sentimento de “Desde O Início“: puta som bem trabalhado, você fica imerso em empolgação, tanto pela letra quanto pela música em si. “Papo De ‘Não Sei O Que’” acelera desde o primeiro segundo e de repente pisa no freio para aproveitar a paisagem. Então pisa novamente e você sente as notas soprando no seu peito. A coisa segue dessa forma e sem que você espere algo mais, o final chega e é simplesmente eletrizante, maravilhoso demais, com um trabalho de guitarras destuidor, nossa. Nossa. Nossa!

Tudo Em Volta de Você” parece ter sido estrategicamente colocada logo depois da “Papo…” para podermos respirar um pouco do encerramento da mesma. E novamente uma tônica da banda: vocal e demais instrumentos conversam sem se atropelar, se completando, sustentando a letra com perfeição até o fim. Na sequência vem o cover de “Marvin” que dispensa apresentações (uma versão do original Patches, como citei mais acima e em outra matéria da banda) tendo por base a versão dos Titãs, mas com uma roupagem muito intensa, bem mais rocker, mais pesada mesmo.

Se Prepara” é cheia de groove, guitarra funkeada e uma letra bem sacana. É nessas horas que vemos a desenvoltura dos músicos e o quanto eles se envolvem na brincadeira sem perder a qualidade. Já escrevi sobre essa música há algum tempo e fico muito feliz que esteja presente nesse disco. “Por Onde Andei” eu também já conhecia e acredito que seja uma entrega de coração aberto, tanto na letra quanto na música. Aliás, essa é uma característica muito presente em todas as letras da SUN: elas são muito honestas, extremamente humanas e você se pega lembrando de suas experiências de vida. Já devem ter percebido o quanto sou fã da banda e como sou muito atento ao conteúdo das músicas de uma maneira geral, se vocês também forem, vão gostar muito do que a SUN tem a dizer.

As três últimas são versões acústicas para “Terra Longe”, “Tudo Em Volta de Você” e “Viver”. Belas versões por sinal.

Sobre a SUN

SUN: peitando o futuro do Rock Brasil sem medo.

SUN: Rock Brasil sem medo.

A voz de Marco Leão é naturalmente agradável, seja nas partes intensas ou nas suaves. Ele tem a medida exata da necessidade emocional de cada verso. É isso que um bom vocalista precisa saber antes de mais nada: saber usar sua voz natural, criar sua própria identidade, por mais que tenha grandes influências. Alan Dias e Paul Martins dividem-se nas guitarras como músicos extremamente maduros e experientes: as guitarras são veículos para a musicalidade, não o objetivo da música. Seus timbres e pegadas são maravilhosos. Bases e solos fluidos como todos deveriam ser. Mauro Mattosinho tem um som de baixo cheio de personalidade. Como todo baixista que admiro, ele sabe se fazer presente e tem uma marcação que me agrada, ainda mais nos trechos em que somente o baixo fala conosco. Beto Patressi fecha a banda e cria linhas de bateria que me fazem ter vontade de sentar numa bateria qualquer e mandar brasa. Domina a pancada e tem uma noção de swing que não deixa nada a desejar, gostei muito da forma que ele conduz e sustenta a coisa toda.

Sendo assim, não reclame do Rock Brasil: conheça a cena do Rock Brasil. Rock On!

Fontes e Referências:
http://www.sunoficial.com.br/
https://www.facebook.com/bandasun
https://soundcloud.com/bandasun
https://www.facebook.com/baserock.sp

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