Archive for the ‘Hardcore’ Category

Tropecei na matéria abaixo no site da revista Rolling Stone. Segue na íntegra e com a primeira música da banda fictícia Samurai ao final – tocada pela real, competente e pesada banda sueca Refused.
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Há algumas semanas, a produtora de games CD Projekt Red, responsável pelo desenvolvimento do tão aguardado Cyberpunk 2077, revelou que ninguém menos que Keanu Reeves interpretará um dos personagens que vai aparecer constantemente no jogo.

Pouco tempo depois, divulgaram um pouco mais da história de Johnny Silverhand: nos seus dias de glória, ele foi vocalista de uma banda punk chamada Samurai.

Agora, dedicados a criar o universo mais imersivo possível, a desenvolvedora lançou um single do grupo que, a pesar de ter o personagem do ator como cantor, não traz a voz de Reeves na gravação.

“Chippin’ In” é tocada pela banda Refused. Os suecos serão responsáveis por compor um EP para o jogo, e, assim como o game, terá músicas e temas inspirados no RPG de mesa Cyberpunk 2020.

Cyberpunk 2077 chega aos consoles PlayStation 4 e Xbox One e para PC em 16 de abril de 2020.

“Chippin’ In” – by Samurai (Refused)

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6ª Rebel Rebel – João Suplicy e o Rock do João no Inferno Club

6ª Rebel Rebel - João Suplicy e o Rock do João

Dia 02/07, no Inferno Club, na 6ª edição da festa Rebel Rebel.

Aproveitando uma pausa na parceria com o irmão Supla na dupla Brothers of Brazil, João apresenta o show de seu novo projeto: João Suplicy e o Rock do João. Mesclando clássicos do Rock ‘n’ Roll, de Elvis Presley a Roberto Carlos, com ótimas composições próprias, ele é acompanhado por uma autêntica e experiente banda de Rockabilly e Boogie-woogie.

Além do próprio João (vocal, guitarra e violão), a banda conta ainda com Danyael Lopes (baixo acústico e vocais), Jeff Billy (bateria e vocais) e Jorge Cirilo (saxofone e vocais).
No palco eles vão fazer aquilo que mais sabem e que fica comprovado a cada show: energizar a audiência com o que há de mais original nas raízes do espírito do Rock.
Para completar a noite da apresentação, os DJs Rodrigo Branco (Kiss FM), Cadu Pelegrini (Kiara Rocks) Sammy Glitz e Humberto Luminati vão percorrer a história do Rock ao longo das décadas.

6ª Rebel Rebel – João Suplicy e o Rock do João no Inferno Club

Promoção da Rebel Rebel

SERVIÇO
Local: Inferno Club
Endereço: Rua Augusta, 501, Consolação, São Paulo.
Tel.: (11) 3120-4140.
Data: Sábado, 02/07, a partir das 23h30.
Lista até 1h: R$ 20,00 entrada ou R$ 40,00 consumo.
Lista após 1h: R$ 25,00 entrada ou R$ 50,00 consumo.
Lista: lista@infernoclub.com.br
Sem lista: R$ 30,00 entrada ou R$ 60,00 consumo
Camarote Open Bar R$ 70,00.
Reservas para Open Bar pelo e-mail: lista@infernoclub.com.br e no assunto: Open Rebel.
Promoções
Double Vodka: 23h30 – 1h
– Double Jager: 3h – 4h
– Aniversariante da semana + acompanhante são VIPs. Levando 15 convidados pagantes, ganha uma garrafa de vodka Skyy. Envie sua lista para lista@infernoclub.com.br até as 21h.
Sorteios
– Serão sorteados uma tatuagem e CDs, ao vivo no palco, entre todos que estiverem na festa.
Atenção: É proibida a entrada de menores de 18 anos (mesmo acompanhado dos pais). Necessária a apresentação de documento oficial original e com foto recente.

Inferno Club: http://www.infernoclub.com.br/
Facebook Rebel Rebel: https://www.facebook.com/RebelRebelRockParty/
Facebook Inferno Club: https://www.facebook.com/InfernoClube/

APOIO
KISS FM – Não Deixe o Rock Sair de Você
http://www.kissfm.com.br
OUI Comunicação – Assessoria
https://www.facebook.com/ouicomunicacao
Oval Tattoos
https://www.facebook.com/oval.ganesha
Black Rock Shop – CDs, DVDs, Vinis, Camisetas
http://www.blackrock.net.br

R.I.P. Lemmy Kilmister – O Dia em que o Trovão silenciou

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Lemmy se foi. Não há muito o que enfeitar sobre isso, é uma porrada real e certeira. Foram 70 anos de vida, mais de 50 como músico, 40 deles dedicados ao Motörhead. O homem era uma máquina de fazer Rock N Roll.

As primeiras 24 horas foram muito esquisitas. Abri e fechei o editor de texto várias vezes, simplesmente não sabia o quê ou como dizer. Nem mesmo se eu queria dizer algo, para ser bem honesto. Pouco dormi. Comi mecanicamente. Enquanto ouvia suas músicas na primeira madrugada após sua morte, eu tentava assimilar a perda. Pensava “outra baixa da magnitude de Ronnie James Dio em meu universo musical… vai ser assim?” – Como se houvesse alguma outra opção além de aceitar… que lendas sobrevivem apenas em nossas lembranças, por mais que sejamos contemporâneos dos nossos mitos modernos. Caras como Lemmy tornam-se imortais em vida, nublando nosso discernimento para o óbvio: a Natureza tem suas leis a seguir, quer você queira, quer não. Vale para mim, vale para você e vale até mesmo para o adorado e “indestrutível” Lemmy.

De roadie do Jimi Hendrix, ao seu próprio lugar de direito como lenda viva do Rock, Ian Fraser “Lemmy” Kilmister trovejou em todos os palcos do mundo, trilhou praticamente todas as estradas da vida – as certas e as erradas – merecendo cada gesto de reconhecimento, cada grito, cada noite virada, cada brinde.

The Ace Of Spaces

The Ace Of Spaces

Divertido, mal-encarado, talentoso, beberrão, humilde, sem frescuras, porém educado, paciente e cordial. Não existe nenhum grande mistério quando você é uma pessoa espontânea e não fica forçando a barra, querendo parecer o que não é, nem bonzinho demais e nem malvado demais. Todos os relatos em primeira pessoa que chegaram a mim até hoje (infelizmente eu mesmo nunca pude conhecê-lo), dão conta de que ele era alguém que não ficava botando banca de grosso e valentão sem necessidade, ao contrário do que muitos acreditam e alguns até pensam estar imitando, sabe-se lá tentando provar o quê. Acho que ele daria umas boas risadas de algumas dessas pessoas e ficaria bem puto com outras.

Era perceptível em suas declarações, a postura de um homem que aprendeu ao longo de 7 décadas, que tudo que começa, acaba, tudo que sobe, desce. Aliás, não tem muito tempo, deixou claro com todas as letras que estava em Paz consigo e com o mundo, reconhecendo publicamente que não teria razão para temer a morte.

RIP Lemmy

Passados os excessos da juventude, Lemmy Kilmister só queria viver da melhor maneira que soubesse, mas sem abrir mão da simplicidade crua de sempre, que acabou lhe rendendo boa parte da fama. Curtir um som, rir, fumar, jogar, sair pra beber e transar. Apenas isso, sem delírios de grandeza. Se para nós, ele foi e será eternamente um ícone, mito, lenda, patriarca ou qualquer que seja o termo, isso é um problema nosso. Ele mesmo nunca se atribuiu a importância que teve ou ao menos nunca se comportou como se tivesse, muito pelo contrário. E isso fazia dele um sujeito ainda mais extraordinário. Nunca se importou em ser rico ou famoso, não era esse seu objetivo, foram apenas consequências. Só queria se divertir como o cara humilde que era e fazer com que nos divertíssemos tanto quanto ele, através dessa inexplicável energia chamada Rock N Roll. Pois saiba que você conseguiu, Lemmy. Missão cumprida.

Motörhead For Life. Lemmy Lives Forever. Rock In Peace, Lemmy… see ya.

Fontes & Referências
http://www.imotorhead.com/
https://www.facebook.com/OfficialMotorhead/
https://www.facebook.com/OfficialLemmy/
http://www.blabbermouth.net/news/motorheads-lemmy-dead-at-70/
http://www.rollingstone.com/music/news/the-tao-of-lemmy-18-great-quotes-from-the-motorhead-frontman-20151229
http://www.areah.com.br/vip/lemmy-kilmister/materia/123246/1/pagina_1/13-licoes-de-vida-de-lemmy-kilmister.aspx
http://www.mirror.co.uk/3am/celebrity-news/motorheads-lemmy-kilmister-playing-video-7085769

20ª The Ace Of Spades Rock Party + Entrevista com o DJ Rodrigo Branco

Rodrigo Branco no estúdio da Rádio Kiss FM

Rodrigo Branco no estúdio da Rádio Kiss FM

Acho muito interessante ver uma festa de Rock como essa, com bandas autorais de todos os estilos, surgir e se desenvolver. Ainda mais em plena Rua Augusta, onde o Rock está diariamente presente até nos detalhes. Pude acompanhar e fotografar pessoalmente todas as edições sem falta até a 10ª. Depois, por fatores profissionais – entenda-se, horário preso nos empregos “convencionais” – acabei indo só em uma ou outra. E só eu sei o quanto isso me chateia. Valorizar bandas e músicos, prestigiar lugares como o Spades Café SP e o empenho desapegado do próprio Rodrigo, é extremamente importante para a cena Rock. Acompanho na maior parte do tempo à distância outras empreitadas que considero maravilhosas. É o caso do pessoal do Base Rock e da Gang da 13, por exemplo, que sou fã assumido tanto das bandas que ele reuniram, quanto de quem organiza e dá a cara pra bater. Contudo, a experiência de ver a coisa acontecendo, dia após dia, semana após semana, mês após mês, abre os nossos olhos para muitas coisas. Pude vivenciar isso com a The Ace Of Spades Rock Party por alguns meses. Ver a dinâmica, os altos e baixos, as dificuldades e as opiniões de público, estabelecimento e organizador diretamente dos mesmos, foi algo que me fez ter uma visão um pouco melhor como fã e mídia alternativa de Rock.

Posto isso, nada mais justo que com a 20ª The Ace Of Spades Rock Party, eu fizesse ao menos uma entrevista com Rodrigo, idealizador do projeto. Vamos adiante.

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Guitar N Roll

1 – De onde veio a ideia da festa e do nome escolhido?
Rodrigo Branco: A ideia da festa veio da necessidade de abrir espaço para as bandas. Agora, felizmente, eu tenho visto mais iniciativas nesse sentido, mas até o ano passado estava difícil achar um lugar que desse espaço para as bandas com trabalho autoral. Eu acho importantíssimo incentivar isso, porque senão vamos ficar eternamente só tocando cover e é isso que está ajudando a matar a cena. Como eu tenho contato com bandas, conheço e recebo muito material, vejo que tem bastante coisa legal. A ideia era abrir espaço não apenas para as bandas de trabalho autoral, mas também que fosse uma casa bem localizada, no caso na Rua Augusta, não em um local fora de mão – e também em uma data boa. Normalmente só dão espaço pra autoral de domingo até 5ª feira. Numa 6ª ou sábado à noite é muito difícil. Eu consegui esse espaço no Spades na 6ª à noite e achei que seria uma coisa legal. Um espaço para as bandas na Augusta, um local que já tem público, já tem o pessoal do Rock. Quanto ao nome, veio a partir da junção do nome do lugar (Spades Café SP) com o lance da minha afinidade com o Motörhead. Acho que coincidiu até por eu ter uma tatuagem do ás de espadas no braço que é o símbolo da casa também, então achei que era um nome adequado.

2 – Como tem sido o feedback da festa? Como você analisa esse retorno?
Rodrigo Branco: Como tudo em Rock hoje em dia, o retorno fica abaixo da expectativa sempre. Das 19 festas feitas até hoje, poucas festas tiveram o retorno que a gente esperava. Acho que só uma surpreendeu e teve mais retorno do que o esperado. O feedback ainda é negativo, infelizmente. Talvez possa melhorar, mas até hoje fica devendo. Falta interesse e presença do público em geral mesmo: fãs e bandas. As pessoas falam muito que precisa ter espaço, mas quando tem esse espaço elas não valorizam como deveriam valorizar.

Aletrix E Rodrigo Branco

Aletrix e Rodrigo Branco

3 – Com tudo isso, qual fica sendo o objetivo da festa nesse contexto?
Rodrigo Branco: Então, o objetivo é não apenas dar espaço, como fomentar a cena. Em 6, 7 meses de festa, são 20 edições, quase 40 bandas diferentes. Dessas, duas eram covers variados e houve uma noite em que tivemos Ramones cover e um Nirvana cover, ou seja, dois covers específicos, mas de bandas que já não existem mais, isso é importante e acho que faz diferença. Tirando isso, são 36 bandas diferentes de som autoral, é bastante coisa. A intenção também é essa: criar um hábito de termos uma festa que sempre vai ter banda autoral tocando lá. Bandas boas, modéstia à parte. Sei que estou julgando muito pelo meu gosto pessoal, mas como eu conheço alguma coisa, evidente que eu não ponho qualquer banda. Ouço antes, vejo se é legal. Outra coisa é que a minha intenção como DJ não é ficar tocando somente as músicas de sempre, como em qualquer outra festa de Rock que você vá. A ideia é colocar músicas diferentes dos artistas conhecidos e também de outros que não tocariam em uma discotecagem normal. Quantas vezes eu estava tocando e as pessoas vieram até mim falando “porra, que som legal, não conhecia, nunca ouvi isso em lugar nenhum”. Embora seja muito difícil de se gerar esse sentimento, tive esse retorno. É um objetivo parcialmente alcançado. Mas eu sei que isso, criar esse hábito, ainda vai levar muito tempo.

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Punch N Roll

4 – Você comentou sobre o seu set e as pessoas sempre falam disso. É uma coisa sua e você tem nisso uma parte significativa da sua identidade como DJ, esse fugir do “mais do mesmo”. Você fez questão de seguir montando seus sets dessa maneira? Como formatou isso?
Rodrigo Branco: Sim, sem dúvida. Minha intenção em qualquer festa que eu faça, é sempre apresentar alguma coisa diferente, fugir do clichê, porque acho que o clichê é um saco. A gente já vive uma vida de rotina em tudo. Você liga o rádio e estão tocando as mesmas músicas de sempre, na TV as mesmas músicas, em qualquer lugar. Então é legal modificar, mas eu sei que nem sempre isso é possível, principalmente quando você tem um viés comercial. Por isso que o rádio repete as músicas, televisão também, enfim, porque de certa forma as pessoas estão habituadas a ouvir o de sempre. Até por isso o cover faz muito sucesso na noite. A pessoa quer sair e ouvir aquilo que ela está habituada. Se você mostra algumas coisa diferente, muitas vezes ela não consegue se divertir com aquilo. Pra mim isso é estranho, porque eu gosto de música, então eu não preciso exatamente conhecer aquele som para curtir. Ainda assim, acho que você pode apresentar várias coisas que as pessoas conhecem – senão todo mundo, alguns vão conhecer – ou algo que ninguém conheça mas que vão se identificar de imediato. Nas minhas festas é claro que eu tento fazer algo que vá agradar quem estiver ouvindo, não sou egoísta, nunca fui assim no rádio e nem nas festas. Eu discoteco para o público, mas procuro entender o gosto dele e também fugir do óbvio. Essa festa como tem bandas, eu tento ver o que vai rolar e seguir um padrão. Se tem bandas punks, vou tocar punk, se tiver metal, vou tocar metal, se rolar pop, toco pop, seguindo o público que elas chamam pra não conflitar. Só que nenhuma festa eu deixo monotemática, gosto de variar entre estilos e épocas. Venho dos anos 50 até hoje e volto, mas faço uma coisa gradativa. Procuro não dar saltos, mas é claro que às vezes você pula de uma época pra outra porque as músicas combinam. Tento combinar por estilo, ou por época ou pelas duas coisas, mas nunca conflitar, digamos, um Punk com Progressivo. É preciso dar uma costurada.

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Rock N Style

5 – Já conversamos sobre isso algumas vezes e vale perguntar: como você observa a frequência com que ouve bandas autorais novas e clássicas, sejam nacionais ou internacionais? Como isso afeta sua dinâmica como profissional da noite, de comunicação e especialista de Rock?
Rodrigo Branco: Como eu trabalho com isso diariamente, ouço música o tempo inteiro. Quando estou em casa e tenho um momento meu, a tendência é querer ouvir alguma coisa diferente. O clássico é o clássico, está lá eternamente pra gente ouvir. Tem algumas coisas novas que você precisa ouvir naquele momento, porque estão aparecendo ali e é interessante você saber agora, porque às vezes a coisa passa e se você não ouvir naquele momento, talvez você não ouça nunca mais. Eu ouço coisa nova com bastante frequência, todos os dias. Eu recebo muito material de banda e quando não recebo, estou procurando. Acho que as redes sociais têm essa função muito interessante que as pessoas não aproveitam. Passo um bom tempo no Facebook e muita gente diz “hoje em dia as pessoas perdem muito tempo com essa porcaria, essa bobagem de Facebook”, só que não é bobagem, não. Eu uso o Facebook como uma ferramenta de informação, então eu recebo muito material de todos os tipos e o tempo todo. Toda hora alguém indica alguma banda, os próprios músicos e eu fico sempre ligado. Quando ouço algo novo, incorporo ao meu conhecimento. Eu consigo curtir uma música nova, às vezes na hora, às vezes não. Acontece de você precisar se familiarizar, mas muitas vezes também conseguir gostar direto. Um dia postei no Facebook: peguei um álbum de uma banda que eu não conhecia, coloquei sem expectativa, que é o ideal. Na verdade achei até que não fosse gostar. Dei play e fui fazer outras coisas, distraído. Estava lá arrumando as coisas e de repente me peguei fazendo air guitar, então me liguei que já estava agitando ao som da banda. As pessoas precisam ter mais essa postura: ouvir e sentir a música, independentemente de já conhecerem ou não o som, sem julgamentos prévios.

6 – Que conselhos você daria para DJs e bandas que atuam ou querem atuar nessa área?
Rodrigo Branco: Profissionalismo sempre, em tudo. Se tocar com outros DJs, estar atento aos sets dos DJs anteriores para não repetir. Já aconteceu de eu repetir? Sim, por eu chegar depois, por estar em outro evento, por chegar em cima da hora, mas o ideal é ficar atento a isso. Acontece também no caso de estabelecimentos muito grandes, com sons em outros ambientes, mas mesmo assim precisa ficar ligado. E você percebe que tem gente que ouviu o que você tocou, mesmo assim repete e acha que não tem nada demais. Eu não repito nem a banda, acho chato. “Ah, mas era outra música” só que não importa, tocou aquela banda agora há pouco, tem tanta coisa que você pode tocar, você vai tocar a mesma? E quando uma banda vai tocar ao vivo, se for trabalho próprio, tudo bem. Já se for banda cover, eu procuro ver o setlist dos covers pra não correr o risco de tocar algo que vai ser ou que foi tocado na mesma noite. Prestar atenção nesses detalhes, não invadir o tempo alheio e tão pouco sair antes do seu horário. Esse tipo de coisa.

Punk N Roll

Punk N Roll

7 – Rodrigo, você é conhecido por “não negociar com terroristas” em se tratando de não abrir mão do que é certo em prol de um falso bom convívio – traduzindo, bater de frente com o que está errado, assumindo com isso todos os méritos e pedradas. Como as coisas deveriam funcionar na noite e como elas funcionam de fato? E como é que você se sente, sabendo que muitos usam essa ideia do “não se queimar”, baixando a cabeça para coisas erradas por receio, enquanto você faz o oposto?
Rodrigo Branco: Ah, velho eu me sinto meio isolado na verdade porque é difícil você ter esse tipo de postura. A maioria das pessoas não tem e se incomoda com a sua postura, isso é um problema. O que eu acho que falta é respeito antes de mais nada. Respeito ao profissional e fazer o que é certo. Combinado é combinado. Às vezes você combina uma coisa, mas na hora “não é bem isso”. Ou quando você tem um problema no local onde está tocando e o pessoal de lá caga e anda pra isso. Um problema do tipo: furtaram um equipamento seu e ninguém está nem aí. E eu não estou falando só de mim, estou falando de outros DJs que eu conheço em diversas casas onde isso já aconteceu e na hora em que você fala, os responsáveis pela dizem “a gente não pode fazer nada”. Também rola de você combinar com um organizador de festa um valor X de cachê, mas depois ele falar, “depois te pago porque não recebi da casa”. Aí você fica esperando e ele não te paga. Você vai cobrar da casa e falam pra você cobrar do cara, ficam os dois empurrando e você fica de otário nessa história. Então às vezes falta enxergar além de tudo, que eles estão trabalhando, no meu caso, com um profissional de mídia. Quando alguém me chama pra discotecar, eu não sou besta, eu sei que muitas vezes estão me chamando pela minha condição de locutor da Kiss FM. Chamam porque querem a divulgação que eu possa, eventualmente, fazer de graça do negócio. E também porque isso pode dar algum status, ter o locutor de uma rádio conhecida discotecando (sendo que eu normalmente cobro o mesmo valor que todo mundo cobra pra tocar). Só que se esquecem que na hora que pisarem na bola comigo, da mesma forma que eu posso fazer uma boa divulgação, posso fazer também uma má divulgação. Não é nenhum tipo de vingança, é uma coisa que acaba sendo até natural, as pessoas vão te perguntar, vão querer saber porque você não trabalha mais lá, enfim.

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Attitude N Roll

8 – Pra encerrar, o que você acha que falta para o Rock no Brasil voltar a ocupar uma posição de status como aquela que já ocupou há muitos anos? Claro, como ele já foi de fato seria um sonho, mas dentro do mais próximo possível, qual seria um possível caminho?
Rodrigo Branco: Faltaria voltar no tempo, né? Não tem mais como, é outra época, a gente teria que mudar tudo. Porque o Rock não está mal só aqui, é no mundo todo, não tem mais aquela força que tinha antes. Aqui acho que falta um pouco de interesse do público, sair um pouquinho da zona de conforto, dar uma variada nos gostos, prestar atenção no que está sendo feito, parar com essa coisa de ficar esperando aparecer na mídia. As pessoas precisam consumir, ouvir o disco da banda nova, ouvir o mp3 e comprar o disco, ir aos shows ou que não comprem nada, mas que ouçam, que gostem, foi assim que as coisas sempre aconteceram. Só que antes havia o interesse da grande mídia, não adianta ficar só falando no âmbito das rádios especializadas, porque a Kiss está aí, a 89, mas o Rock só fez sucesso mesmo fora do circuito underground, a partir do momento em que foi abraçado pela grande mídia. Passou a tocar na grandes redes de televisão, rádios populares, só que isso não vai mais acontecer. Então as pessoas precisam conhecer as coisas por elas próprias, parar de ficar esperando que aconteça. Hoje em dia eu identifico dessa maneira: as pessoas esperam a música fazer sucesso para depois decidirem se elas gostam ou não. Deveria ser ao contrário. A pessoa ouvir e falar “isso aqui é legal”, começar a curtir e ir ao show, independente de estar cheio, se vai ser sucesso. Falta o público mudar de postura, parar de só criticar, ficar falando que o Rock brasileiro morreu. Não adianta ficar revoltado porque o Restart falou que foi a última banda relevante de Rock no Brasil, se a pessoa nem consegue citar 3 bandas novas legais que tenha ouvido em menos de 10 anos. Isso é culpa de quem? Só da mídia? Você vai ficar sempre culpando o outro? Você também não teve interesse, vai dizer que não viu esse tempo todo uma banda interessante que foi mostrada? Hoje em dia o veículo principal é a Internet, só que as pessoas não estão interessadas, elas ficam esperando a coisa fazer sucesso. Pela grande mídia não vai mais, então tem que ser por cada um mesmo.

E foi assim que terminamos essa conversa que poderia levar horas e dias. Não, não me esqueci de falar da 20ª The Ace Of Spades Rock Party. A pancada vem bonita nessa 20ª edição, com Stoneria e Vento Motivo.

Logo da banda Vento Motivo

Vento Motivo

A Vento Motivo conta com 15 anos de história, 4 discos lançados, sendo formada por músicos com uma longa carreira, como o guitarrista Kim Kehl, na ativa desde os anos 70. Ele já tocou com Lírio de Vidro, Made In Brazil, Nasi & Os Irmãos do Blues, entre outros. Um claro sinal de que eles sabem muito bem o que estão fazendo.

E com quase 10 anos de estrada, músicos experientes, centenas de shows no currículo, 1 EP e 1 disco lançados, junto com eles vem a Stoneria, que como o próprio nome diz, é rock pesado, com muita pegada e boas letras em português.

Logo da banda Stoneria.

Stoneria

Completa a noite no Spades Café SP, naturalmente, o DJ Rodrigo Branco, radialista e produtor da Kiss FM.

Fontes & Referências:
Página da festa: https://www.facebook.com/theaceofspadesrockparty
https://brancojukebox.wordpress.com/
http://www.ventomotivo.com.br/
https://www.facebook.com/ventomotivo
http://stoneria.com/
https://www.facebook.com/stoneriarock

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Spades Café SP – Rua Augusta, 339 – Consolação – São Paulo/SP

The Ace Of Spades Rock Party com as bandas ANTIOXIDANTE e H-521

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A edição da festa chegou e segue firme apenas com bandas autorais que representam toda a garra da cena Rock no Brasil. Aliás, sobram ótimas bandas autorais com força, qualidade e determinação no país, justiça seja feita. Nessa nova edição da festa do DJ Rodrigo Branco (Locutor/Produtor da Kiss FM), o Spades Café SP cede seu espaço para mais dois nomes do universo Punk Rock e HardCore na Rua Augusta: Antioxidante e H-521.

ANTIOXIDANTE

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Do próprio Facebook da banda: “Formada em 2007, em Mogi das Cruzes, a banda AntiOxidante conta com Digão na guitarra e vocal, Ricardo ‘Cupim’ na batera/backing vocals e Flávio ‘Tio Chico’ no baixo e vocal. O grupo já abriu show do Paralamas do Sucesso, 365 e Inocentes, no projeto Rock nos Trilhos, da CPTM.

Em seu repertório, o som é inspirado em bandas dos anos 80/90 e 2000, com letras que refletem sobre o cotidiano da sociedade brasileira.

H-521

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Direto do Facebook da banda: “Formada em meados de 1999, a banda H-521, surgiu fazendo covers de Rock Nacional, mas sentindo-se maduros e com qualidade musical suficiente, a banda deu início em 2004 a composições próprias no estilo Hardcore. Assim, determinado seu estilo musical e compostas algumas letras, a banda deu início a mais um desafio: a propagação de suas músicas e sua trajetória em shows. Iniciaram o projeto do seu primeiro CD, com a JT Records, no álbum chamado NADA PODE NOS PARAR, tendo como música de trabalho a faixa TRAUMA.

Desde então, H-521, continua a correr atrás dos seus objetivos, cantar, tocar e transmitir um HardCore com seu diferencial único, apenas inovando a raíz do HardCore Old School.

Como podem perceber, são bandas que estão correndo atrás e não estão brincando de fazer música. Completa a noite, logicamente, a discotecagem do experiente Rodrigo Branco, que conhece todos os lados do Rock das últimas décadas e não se prende ao lugar comum.

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Rua Augusta, 339.
Sexta, 20/02/15.
A partir das 23h30.
Entrada: R$ 15,00.
Mulheres entram VIP até 1h.

Fontes & Referências
Deu Branco: https://brancojukebox.wordpress.com/2015/02/19/hey-ho-lets-go-2/
Spade Cafe SP: https://pt-br.facebook.com/spadescafesp
AntiOxidante: https://www.facebook.com/AntiOxidante.oficial
H-521: https://www.facebook.com/pages/BANDA-H-521/150297268401886
Facebook do Evento: https://www.facebook.com/events/1423363737956817/

MatanzaMúsica Para Beber E Brigar

2º Disco do Matanza: Música Para Beber E Brigar

Matanza: Música Para Beber E Brigar

 Lá pelos idos de 2003, eu trabalhava em uma loja toda cheia de propostas inovadoras em se tratando de Brasil. Fizeram até algumas matérias de destaque sobre o lugar em grandes emissoras e demais veículos. Localizada em um shopping da Zona Sul do Rio de Janeiro, era um espaço realmente muito grande: livraria, setor de downloads, cinema de alta tecnologia, gráfica, palco para shows, restaurante, café e, evidentemente, um setor de CDs e DVDs – que era o meu setor. Na verdade eu e meus amigos e colegas fazíamos parte da equipe original que inaugurou a tal loja.

 “Beleza, mas onde entra a tal banda do título nessa história toda?” – Pois vamos a isso nesse exato instante: em dado momento daquele agitadíssimo cotidiano comercial, deparei-me com o CD de uma banda cujo nome era no mínimo… peculiar por assim dizer – Matanza. Alguém falou “é a banda do filho do Jack (dono da loja), o Jimmy” e apontou para um sujeito grande, ruivo, cabeludo e barbudo que circulava pela livraria. Figura ameaçadora para os “padrões normais” de uma sociedade estúpida, hipócrita e preconceituosa. Vez por outra ele aparecia e conversava com alguns de nós durante o expediente.

 A despeito de qualquer estereótipo, durante essas conversas pude constatar que o sujeito era inteligente e bem articulado – além de ser um cara totalmente na dele, sem frescuras e, acreditem, educado e de certa forma até bem simpático. Eu já tinha ouvido falar vagamente sobre um tal Jimmy London na cena um pouco mais extrema do Rio e de sua atitude. Apenas não havia associado o nome à banda e à pessoa daquele Jimmy específico. E ele mesmo não mencionava diretamente o Matanza conosco – não que eu tenha visto. Quando um músico tem esse tipo de postura, ganha totalmente o meu respeito, seja ele famoso ou não. Lembrando bem, apenas uma única vez ele brincou quando me viu com um CD deles na mão: “essa banda é legal, hein?” – riu e saiu andando. Fim.

 Depois disso realmente resolvi conhecer o trabalho da banda e comecei por um CD que constava em nosso catálogo, cujo nome era no mínimo singular: Música Para Beber & Brigar (2003). E não poderia haver um título mais direto para aquele disco. Uma mistura muito bem amarrada de Metal, Hardcore, Punk e Country. Agora chega de papo e vamos ao que interessa:

O Último Bar Matanza (Versão Oficial Ao Vivo)


…Mas se eu voltei pra essa cidade, foi atrás de muito tempo que eu perdi…

Fontes e Referências: Coleção particular e http://www.matanza.com.br/