Archive for the ‘Rock Acústico’ Category

Nando Reis segue tirando dúvidas e explica ainda sua posição sobre significados de suas letras.

Fonte: Nando Reis Oficial

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Parte II – Nando Reis conclui a explicação sobre o All Star azul da música, conta da relação de Cássia Eller com a marca (“a Cássia usava vários All Stars, ela gostava”), como ele próprio teve seu primeiro contato com o Converse All Star (através do Jethro Tull) e encerra mostrando seu único All Star e também o presente que recebeu da família de Cássia.

Fonte: Nando Reis Oficial

Parte I – Nando Reis explica sua relação com as redes sociais, perguntas mais frequentes que costuma receber, sobre a questão da UFRJ que envolveu uma de suas letras – e também sobre a origem do famoso All Star azul, da sua música “All Star“, que ficou famosa na voz de Cássia Eller.

Fonte: Nando Reis Oficial

6ª Rebel Rebel – João Suplicy e o Rock do João no Inferno Club

6ª Rebel Rebel - João Suplicy e o Rock do João

Dia 02/07, no Inferno Club, na 6ª edição da festa Rebel Rebel.

Aproveitando uma pausa na parceria com o irmão Supla na dupla Brothers of Brazil, João apresenta o show de seu novo projeto: João Suplicy e o Rock do João. Mesclando clássicos do Rock ‘n’ Roll, de Elvis Presley a Roberto Carlos, com ótimas composições próprias, ele é acompanhado por uma autêntica e experiente banda de Rockabilly e Boogie-woogie.

Além do próprio João (vocal, guitarra e violão), a banda conta ainda com Danyael Lopes (baixo acústico e vocais), Jeff Billy (bateria e vocais) e Jorge Cirilo (saxofone e vocais).
No palco eles vão fazer aquilo que mais sabem e que fica comprovado a cada show: energizar a audiência com o que há de mais original nas raízes do espírito do Rock.
Para completar a noite da apresentação, os DJs Rodrigo Branco (Kiss FM), Cadu Pelegrini (Kiara Rocks) Sammy Glitz e Humberto Luminati vão percorrer a história do Rock ao longo das décadas.

6ª Rebel Rebel – João Suplicy e o Rock do João no Inferno Club

Promoção da Rebel Rebel

SERVIÇO
Local: Inferno Club
Endereço: Rua Augusta, 501, Consolação, São Paulo.
Tel.: (11) 3120-4140.
Data: Sábado, 02/07, a partir das 23h30.
Lista até 1h: R$ 20,00 entrada ou R$ 40,00 consumo.
Lista após 1h: R$ 25,00 entrada ou R$ 50,00 consumo.
Lista: lista@infernoclub.com.br
Sem lista: R$ 30,00 entrada ou R$ 60,00 consumo
Camarote Open Bar R$ 70,00.
Reservas para Open Bar pelo e-mail: lista@infernoclub.com.br e no assunto: Open Rebel.
Promoções
Double Vodka: 23h30 – 1h
– Double Jager: 3h – 4h
– Aniversariante da semana + acompanhante são VIPs. Levando 15 convidados pagantes, ganha uma garrafa de vodka Skyy. Envie sua lista para lista@infernoclub.com.br até as 21h.
Sorteios
– Serão sorteados uma tatuagem e CDs, ao vivo no palco, entre todos que estiverem na festa.
Atenção: É proibida a entrada de menores de 18 anos (mesmo acompanhado dos pais). Necessária a apresentação de documento oficial original e com foto recente.

Inferno Club: http://www.infernoclub.com.br/
Facebook Rebel Rebel: https://www.facebook.com/RebelRebelRockParty/
Facebook Inferno Club: https://www.facebook.com/InfernoClube/

APOIO
KISS FM – Não Deixe o Rock Sair de Você
http://www.kissfm.com.br
OUI Comunicação – Assessoria
https://www.facebook.com/ouicomunicacao
Oval Tattoos
https://www.facebook.com/oval.ganesha
Black Rock Shop – CDs, DVDs, Vinis, Camisetas
http://www.blackrock.net.br

Cracker Blues  –  Uma Encruzilhada entre o Blues, o Rock, o Paraíso e o Inferno

Mais uma daquelas bandas que eu adoro e ninguém sabe. Até troco ideia vez por outra com o vocalista pelo Facebook, mas ele nem desconfia do quanto curto o som que fazem – bom, agora vai saber. Mais uma que tem rascunho salvo no Rock Universe e que finalmente tomo vergonha na cara, finalizo e publico.

Cracker Blues - Prata do CarrascoConheci o som da Cracker Blues em 2012. Um formato de Blues que me chamou a atenção desde o começo. Arranjos e letras que me dizem respeito e o principal: sinceridade artística. Quando eu ouço esse quarteto, bate uma saudade tremenda da época em que eu ainda tocava. Principalmente das trocentas jams de Blues com amigos, professores e conhecidos. Pouco antes de parar de tocar, entre outros sons, eu ficava viajando em letras e slides em um dos meus violões, justamente um que soava melhor com cordas de aço. Durante esse período, eu praticamente não ligava mais a guitarra, apenas fazia um rodízio de violões de Blues e Flamenco, sendo esses dois estilos verdadeiras orações diárias (ok, rolavam outros sons aqui e ali, principalmente músicas folclóricas de outras partes do mundo).

Era uma tentativa ainda imatura (e bastante pretensiosa, convenhamos) de soar cru, reverenciando os grandes Mestres do Blues, lá do começo da história. Até uma modesta coleção de gaitas eu tive, com as quais ao menos o básico aprendi. Bom, o fato é que a Cracker Blues me passa esse sentimento, reacende essa lembrança. Eu ouço agradecendo.

Do próprio Facebook da banda: “(…) Elementos do Blues Texano de ZZ Top, do Boogie de John Lee Hooker e do Rock Sulista de Lynyrd Skynyrd, unidos a poderosos riffs de slide guitar e letras marcantes criam características únicas na sonoridade da banda. Desde 1999, formada em São Paulo e se apresentando em grandes eventos e casas, como a Virada Cultural (SP), Credicard Hall (abrindo o show para o Creedence Clearwater Revisited), Bourbon Street Music Club (SP), Festival Roça ‘N’ Roll (MG) (…)”


O primeiro álbum da banda, “Entre o México e o Inferno” (2009), pega pelo pé e pela alma do início ao fim. De “Bolero Maldito” a “Oração para um Ordinário”, são 11 faixas transbordando Blues de gente grande.

Cracker Blues - Entre o México e o Inferno1. Bolero Maldito
2. Whisky Cabrón
3. Velha Tatuagem
4. Sangue de Segunda
5. Blues do Inimigo
6. Nascido em São Paulo
7. Tinhoso
8. Charles Bronson Blues
9. Que o Diabo lhe Carregue
10. Blues 56 – Lobo do Mar
11. Oração para um Ordinário


E o segundo, “Prata do Carrasco” (2014), não fica nadinha atrás. Nada mesmo. A atmosfera do primeiro disco continua lá, mas fiquei com a sensação de que o Blues deles está com um veneno um pouco mais Rock N Roll.

Cracker Blues - Prata do Carrasco

Cracker Blues – Prata do Carrasco

1. Trem do Inferno ao Paraguai; 2. Canto Obscuro de Um Bar; 3. Chorando Sobre Cafeína; 4. Toada Para o Cão Ernesto; 5. Caveira Chicana; 6. A Discreta Arte do Mau Olhado; 7. Lágrima Para Ernest Borgnine; 8. Jaula Enferrujada; 9. O Chão Sob Minhas Botas; 10. Óleo; 11. Ciganos Velhos e Músicas Tristes.

As letras inteligentes do vocalista e gaitista Paulo Coruja tem uma pegada densa, pode-se dizer até meio malvada. São realmente letras de um homem do Blues, não de alguém tentando soar Blues, você sente a energia, um sentimento bruto e legítimo. Coruja tem a voz perfeita para o estilo, com os drives certos, sob medida (drives esses que domina muito bem, diga-se de passagem) e feeling de sobra, o que explica uma boa parte do talento na gaita – aliás, que bom gosto ele tem no instrumento. O guitarrista, Marceleza Bottleneck, conhece as melhores rotas dentro de cada música, com riffs e solos inspiradíssimos, que conversam com a harmonia sem dificuldade. As linhas de baixo de Paulo Krüger e as escolhas do baterista Jeferson Gaucho, fazem a cozinha da Cracker Blues nada menos que perfeita, não pecam nem por falta e nem pelo excesso. Pode parecer bobagem e básico, mas presto muita atenção em bandas nas quais cada um sabe usar o seu espaço da melhor maneira, não simplesmente disputando espaço com seus companheiros de banda. Um riff, uma batida, um compasso bem aproveitado dizem muito mais do que se imagina sobre a química entre os músicos.

Recentemente eles passaram a integrar o Base Rock. Quando topei com Ma Giovananni, idealizador e produtor do projeto, fiz questão de parabenizá-lo, fiquei muito feliz ao saber desse tremendo reforço – que contou também com a adesão da Desert Dance, outra puta banda que conheci pelo Facebook do Ricardo Batalha, da revista Roadie Crew.

Entre bandas, projetos, blogs, revistas e noites no bar (como diria o pessoal do Mattilha), vamos tropeçando uns nos outros por mil caminhos, levando nosso estilo de vida adiante, tentando fazer alguma coisa, qualquer coisa ao longo da estrada. É dessas encruzilhadas que se vive o Rock N Roll. E, sem sombra de dúvida, também o Blues.

Fontes e Referências: http://crackerblues.com.br/
https://www.facebook.com/crackerbluesoficial
https://www.facebook.com/baserock.sp
http://www.baserock.com.br/

20ª The Ace Of Spades Rock Party + Entrevista com o DJ Rodrigo Branco

Rodrigo Branco no estúdio da Rádio Kiss FM

Rodrigo Branco no estúdio da Rádio Kiss FM

Acho muito interessante ver uma festa de Rock como essa, com bandas autorais de todos os estilos, surgir e se desenvolver. Ainda mais em plena Rua Augusta, onde o Rock está diariamente presente até nos detalhes. Pude acompanhar e fotografar pessoalmente todas as edições sem falta até a 10ª. Depois, por fatores profissionais – entenda-se, horário preso nos empregos “convencionais” – acabei indo só em uma ou outra. E só eu sei o quanto isso me chateia. Valorizar bandas e músicos, prestigiar lugares como o Spades Café SP e o empenho desapegado do próprio Rodrigo, é extremamente importante para a cena Rock. Acompanho na maior parte do tempo à distância outras empreitadas que considero maravilhosas. É o caso do pessoal do Base Rock e da Gang da 13, por exemplo, que sou fã assumido tanto das bandas que ele reuniram, quanto de quem organiza e dá a cara pra bater. Contudo, a experiência de ver a coisa acontecendo, dia após dia, semana após semana, mês após mês, abre os nossos olhos para muitas coisas. Pude vivenciar isso com a The Ace Of Spades Rock Party por alguns meses. Ver a dinâmica, os altos e baixos, as dificuldades e as opiniões de público, estabelecimento e organizador diretamente dos mesmos, foi algo que me fez ter uma visão um pouco melhor como fã e mídia alternativa de Rock.

Posto isso, nada mais justo que com a 20ª The Ace Of Spades Rock Party, eu fizesse ao menos uma entrevista com Rodrigo, idealizador do projeto. Vamos adiante.

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Guitar N Roll

1 – De onde veio a ideia da festa e do nome escolhido?
Rodrigo Branco: A ideia da festa veio da necessidade de abrir espaço para as bandas. Agora, felizmente, eu tenho visto mais iniciativas nesse sentido, mas até o ano passado estava difícil achar um lugar que desse espaço para as bandas com trabalho autoral. Eu acho importantíssimo incentivar isso, porque senão vamos ficar eternamente só tocando cover e é isso que está ajudando a matar a cena. Como eu tenho contato com bandas, conheço e recebo muito material, vejo que tem bastante coisa legal. A ideia era abrir espaço não apenas para as bandas de trabalho autoral, mas também que fosse uma casa bem localizada, no caso na Rua Augusta, não em um local fora de mão – e também em uma data boa. Normalmente só dão espaço pra autoral de domingo até 5ª feira. Numa 6ª ou sábado à noite é muito difícil. Eu consegui esse espaço no Spades na 6ª à noite e achei que seria uma coisa legal. Um espaço para as bandas na Augusta, um local que já tem público, já tem o pessoal do Rock. Quanto ao nome, veio a partir da junção do nome do lugar (Spades Café SP) com o lance da minha afinidade com o Motörhead. Acho que coincidiu até por eu ter uma tatuagem do ás de espadas no braço que é o símbolo da casa também, então achei que era um nome adequado.

2 – Como tem sido o feedback da festa? Como você analisa esse retorno?
Rodrigo Branco: Como tudo em Rock hoje em dia, o retorno fica abaixo da expectativa sempre. Das 19 festas feitas até hoje, poucas festas tiveram o retorno que a gente esperava. Acho que só uma surpreendeu e teve mais retorno do que o esperado. O feedback ainda é negativo, infelizmente. Talvez possa melhorar, mas até hoje fica devendo. Falta interesse e presença do público em geral mesmo: fãs e bandas. As pessoas falam muito que precisa ter espaço, mas quando tem esse espaço elas não valorizam como deveriam valorizar.

Aletrix E Rodrigo Branco

Aletrix e Rodrigo Branco

3 – Com tudo isso, qual fica sendo o objetivo da festa nesse contexto?
Rodrigo Branco: Então, o objetivo é não apenas dar espaço, como fomentar a cena. Em 6, 7 meses de festa, são 20 edições, quase 40 bandas diferentes. Dessas, duas eram covers variados e houve uma noite em que tivemos Ramones cover e um Nirvana cover, ou seja, dois covers específicos, mas de bandas que já não existem mais, isso é importante e acho que faz diferença. Tirando isso, são 36 bandas diferentes de som autoral, é bastante coisa. A intenção também é essa: criar um hábito de termos uma festa que sempre vai ter banda autoral tocando lá. Bandas boas, modéstia à parte. Sei que estou julgando muito pelo meu gosto pessoal, mas como eu conheço alguma coisa, evidente que eu não ponho qualquer banda. Ouço antes, vejo se é legal. Outra coisa é que a minha intenção como DJ não é ficar tocando somente as músicas de sempre, como em qualquer outra festa de Rock que você vá. A ideia é colocar músicas diferentes dos artistas conhecidos e também de outros que não tocariam em uma discotecagem normal. Quantas vezes eu estava tocando e as pessoas vieram até mim falando “porra, que som legal, não conhecia, nunca ouvi isso em lugar nenhum”. Embora seja muito difícil de se gerar esse sentimento, tive esse retorno. É um objetivo parcialmente alcançado. Mas eu sei que isso, criar esse hábito, ainda vai levar muito tempo.

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Punch N Roll

4 – Você comentou sobre o seu set e as pessoas sempre falam disso. É uma coisa sua e você tem nisso uma parte significativa da sua identidade como DJ, esse fugir do “mais do mesmo”. Você fez questão de seguir montando seus sets dessa maneira? Como formatou isso?
Rodrigo Branco: Sim, sem dúvida. Minha intenção em qualquer festa que eu faça, é sempre apresentar alguma coisa diferente, fugir do clichê, porque acho que o clichê é um saco. A gente já vive uma vida de rotina em tudo. Você liga o rádio e estão tocando as mesmas músicas de sempre, na TV as mesmas músicas, em qualquer lugar. Então é legal modificar, mas eu sei que nem sempre isso é possível, principalmente quando você tem um viés comercial. Por isso que o rádio repete as músicas, televisão também, enfim, porque de certa forma as pessoas estão habituadas a ouvir o de sempre. Até por isso o cover faz muito sucesso na noite. A pessoa quer sair e ouvir aquilo que ela está habituada. Se você mostra algumas coisa diferente, muitas vezes ela não consegue se divertir com aquilo. Pra mim isso é estranho, porque eu gosto de música, então eu não preciso exatamente conhecer aquele som para curtir. Ainda assim, acho que você pode apresentar várias coisas que as pessoas conhecem – senão todo mundo, alguns vão conhecer – ou algo que ninguém conheça mas que vão se identificar de imediato. Nas minhas festas é claro que eu tento fazer algo que vá agradar quem estiver ouvindo, não sou egoísta, nunca fui assim no rádio e nem nas festas. Eu discoteco para o público, mas procuro entender o gosto dele e também fugir do óbvio. Essa festa como tem bandas, eu tento ver o que vai rolar e seguir um padrão. Se tem bandas punks, vou tocar punk, se tiver metal, vou tocar metal, se rolar pop, toco pop, seguindo o público que elas chamam pra não conflitar. Só que nenhuma festa eu deixo monotemática, gosto de variar entre estilos e épocas. Venho dos anos 50 até hoje e volto, mas faço uma coisa gradativa. Procuro não dar saltos, mas é claro que às vezes você pula de uma época pra outra porque as músicas combinam. Tento combinar por estilo, ou por época ou pelas duas coisas, mas nunca conflitar, digamos, um Punk com Progressivo. É preciso dar uma costurada.

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Rock N Style

5 – Já conversamos sobre isso algumas vezes e vale perguntar: como você observa a frequência com que ouve bandas autorais novas e clássicas, sejam nacionais ou internacionais? Como isso afeta sua dinâmica como profissional da noite, de comunicação e especialista de Rock?
Rodrigo Branco: Como eu trabalho com isso diariamente, ouço música o tempo inteiro. Quando estou em casa e tenho um momento meu, a tendência é querer ouvir alguma coisa diferente. O clássico é o clássico, está lá eternamente pra gente ouvir. Tem algumas coisas novas que você precisa ouvir naquele momento, porque estão aparecendo ali e é interessante você saber agora, porque às vezes a coisa passa e se você não ouvir naquele momento, talvez você não ouça nunca mais. Eu ouço coisa nova com bastante frequência, todos os dias. Eu recebo muito material de banda e quando não recebo, estou procurando. Acho que as redes sociais têm essa função muito interessante que as pessoas não aproveitam. Passo um bom tempo no Facebook e muita gente diz “hoje em dia as pessoas perdem muito tempo com essa porcaria, essa bobagem de Facebook”, só que não é bobagem, não. Eu uso o Facebook como uma ferramenta de informação, então eu recebo muito material de todos os tipos e o tempo todo. Toda hora alguém indica alguma banda, os próprios músicos e eu fico sempre ligado. Quando ouço algo novo, incorporo ao meu conhecimento. Eu consigo curtir uma música nova, às vezes na hora, às vezes não. Acontece de você precisar se familiarizar, mas muitas vezes também conseguir gostar direto. Um dia postei no Facebook: peguei um álbum de uma banda que eu não conhecia, coloquei sem expectativa, que é o ideal. Na verdade achei até que não fosse gostar. Dei play e fui fazer outras coisas, distraído. Estava lá arrumando as coisas e de repente me peguei fazendo air guitar, então me liguei que já estava agitando ao som da banda. As pessoas precisam ter mais essa postura: ouvir e sentir a música, independentemente de já conhecerem ou não o som, sem julgamentos prévios.

6 – Que conselhos você daria para DJs e bandas que atuam ou querem atuar nessa área?
Rodrigo Branco: Profissionalismo sempre, em tudo. Se tocar com outros DJs, estar atento aos sets dos DJs anteriores para não repetir. Já aconteceu de eu repetir? Sim, por eu chegar depois, por estar em outro evento, por chegar em cima da hora, mas o ideal é ficar atento a isso. Acontece também no caso de estabelecimentos muito grandes, com sons em outros ambientes, mas mesmo assim precisa ficar ligado. E você percebe que tem gente que ouviu o que você tocou, mesmo assim repete e acha que não tem nada demais. Eu não repito nem a banda, acho chato. “Ah, mas era outra música” só que não importa, tocou aquela banda agora há pouco, tem tanta coisa que você pode tocar, você vai tocar a mesma? E quando uma banda vai tocar ao vivo, se for trabalho próprio, tudo bem. Já se for banda cover, eu procuro ver o setlist dos covers pra não correr o risco de tocar algo que vai ser ou que foi tocado na mesma noite. Prestar atenção nesses detalhes, não invadir o tempo alheio e tão pouco sair antes do seu horário. Esse tipo de coisa.

Punk N Roll

Punk N Roll

7 – Rodrigo, você é conhecido por “não negociar com terroristas” em se tratando de não abrir mão do que é certo em prol de um falso bom convívio – traduzindo, bater de frente com o que está errado, assumindo com isso todos os méritos e pedradas. Como as coisas deveriam funcionar na noite e como elas funcionam de fato? E como é que você se sente, sabendo que muitos usam essa ideia do “não se queimar”, baixando a cabeça para coisas erradas por receio, enquanto você faz o oposto?
Rodrigo Branco: Ah, velho eu me sinto meio isolado na verdade porque é difícil você ter esse tipo de postura. A maioria das pessoas não tem e se incomoda com a sua postura, isso é um problema. O que eu acho que falta é respeito antes de mais nada. Respeito ao profissional e fazer o que é certo. Combinado é combinado. Às vezes você combina uma coisa, mas na hora “não é bem isso”. Ou quando você tem um problema no local onde está tocando e o pessoal de lá caga e anda pra isso. Um problema do tipo: furtaram um equipamento seu e ninguém está nem aí. E eu não estou falando só de mim, estou falando de outros DJs que eu conheço em diversas casas onde isso já aconteceu e na hora em que você fala, os responsáveis pela dizem “a gente não pode fazer nada”. Também rola de você combinar com um organizador de festa um valor X de cachê, mas depois ele falar, “depois te pago porque não recebi da casa”. Aí você fica esperando e ele não te paga. Você vai cobrar da casa e falam pra você cobrar do cara, ficam os dois empurrando e você fica de otário nessa história. Então às vezes falta enxergar além de tudo, que eles estão trabalhando, no meu caso, com um profissional de mídia. Quando alguém me chama pra discotecar, eu não sou besta, eu sei que muitas vezes estão me chamando pela minha condição de locutor da Kiss FM. Chamam porque querem a divulgação que eu possa, eventualmente, fazer de graça do negócio. E também porque isso pode dar algum status, ter o locutor de uma rádio conhecida discotecando (sendo que eu normalmente cobro o mesmo valor que todo mundo cobra pra tocar). Só que se esquecem que na hora que pisarem na bola comigo, da mesma forma que eu posso fazer uma boa divulgação, posso fazer também uma má divulgação. Não é nenhum tipo de vingança, é uma coisa que acaba sendo até natural, as pessoas vão te perguntar, vão querer saber porque você não trabalha mais lá, enfim.

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Attitude N Roll

8 – Pra encerrar, o que você acha que falta para o Rock no Brasil voltar a ocupar uma posição de status como aquela que já ocupou há muitos anos? Claro, como ele já foi de fato seria um sonho, mas dentro do mais próximo possível, qual seria um possível caminho?
Rodrigo Branco: Faltaria voltar no tempo, né? Não tem mais como, é outra época, a gente teria que mudar tudo. Porque o Rock não está mal só aqui, é no mundo todo, não tem mais aquela força que tinha antes. Aqui acho que falta um pouco de interesse do público, sair um pouquinho da zona de conforto, dar uma variada nos gostos, prestar atenção no que está sendo feito, parar com essa coisa de ficar esperando aparecer na mídia. As pessoas precisam consumir, ouvir o disco da banda nova, ouvir o mp3 e comprar o disco, ir aos shows ou que não comprem nada, mas que ouçam, que gostem, foi assim que as coisas sempre aconteceram. Só que antes havia o interesse da grande mídia, não adianta ficar só falando no âmbito das rádios especializadas, porque a Kiss está aí, a 89, mas o Rock só fez sucesso mesmo fora do circuito underground, a partir do momento em que foi abraçado pela grande mídia. Passou a tocar na grandes redes de televisão, rádios populares, só que isso não vai mais acontecer. Então as pessoas precisam conhecer as coisas por elas próprias, parar de ficar esperando que aconteça. Hoje em dia eu identifico dessa maneira: as pessoas esperam a música fazer sucesso para depois decidirem se elas gostam ou não. Deveria ser ao contrário. A pessoa ouvir e falar “isso aqui é legal”, começar a curtir e ir ao show, independente de estar cheio, se vai ser sucesso. Falta o público mudar de postura, parar de só criticar, ficar falando que o Rock brasileiro morreu. Não adianta ficar revoltado porque o Restart falou que foi a última banda relevante de Rock no Brasil, se a pessoa nem consegue citar 3 bandas novas legais que tenha ouvido em menos de 10 anos. Isso é culpa de quem? Só da mídia? Você vai ficar sempre culpando o outro? Você também não teve interesse, vai dizer que não viu esse tempo todo uma banda interessante que foi mostrada? Hoje em dia o veículo principal é a Internet, só que as pessoas não estão interessadas, elas ficam esperando a coisa fazer sucesso. Pela grande mídia não vai mais, então tem que ser por cada um mesmo.

E foi assim que terminamos essa conversa que poderia levar horas e dias. Não, não me esqueci de falar da 20ª The Ace Of Spades Rock Party. A pancada vem bonita nessa 20ª edição, com Stoneria e Vento Motivo.

Logo da banda Vento Motivo

Vento Motivo

A Vento Motivo conta com 15 anos de história, 4 discos lançados, sendo formada por músicos com uma longa carreira, como o guitarrista Kim Kehl, na ativa desde os anos 70. Ele já tocou com Lírio de Vidro, Made In Brazil, Nasi & Os Irmãos do Blues, entre outros. Um claro sinal de que eles sabem muito bem o que estão fazendo.

E com quase 10 anos de estrada, músicos experientes, centenas de shows no currículo, 1 EP e 1 disco lançados, junto com eles vem a Stoneria, que como o próprio nome diz, é rock pesado, com muita pegada e boas letras em português.

Logo da banda Stoneria.

Stoneria

Completa a noite no Spades Café SP, naturalmente, o DJ Rodrigo Branco, radialista e produtor da Kiss FM.

Fontes & Referências:
Página da festa: https://www.facebook.com/theaceofspadesrockparty
https://brancojukebox.wordpress.com/
http://www.ventomotivo.com.br/
https://www.facebook.com/ventomotivo
http://stoneria.com/
https://www.facebook.com/stoneriarock

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Spades Café SP – Rua Augusta, 339 – Consolação – São Paulo/SP

Rainbow Eyes – Rainbow (1978 – Ronnie James Dio)

Rainbow´s Long Live Rock ´N Roll.

Long Live Rock ´N Roll

 Oitava faixa do terceiro (e clássico) álbum de estúdio do Rainbow, Long Live Rock ´N Roll (1978), pode-se dizer que a canção Rainbow Eyes rivaliza com as mais belas e famosas baladas de Rock da História. Naturalmente não ficou tão famosa quanto tantas outras – caso de Stairway To Heaven e Winds Of Change, por exemplo –, mas creio se tratar tão somente de mero capricho do destino.

 Ironicamente é também a última faixa do último disco do Rainbow com Ronnie James Dio nos vocais – o que reforça o tom de despedida ao ouvirmos a canção.

 Além da voz desconcertantemente perfeita do próprio Mestre Dio, ao longo da música podemos uma vez mais constatar o talento do bruxo Ritchie Blackmore como compositor, uma vez que a harmonia como um todo parece pulsar com vida própria: além de emocionante, é praticamente tangível. Cello e viola conduzem a ideia central do arranjo, juntamente com uma linha harmônica de flauta que parece ter viajado pelo tempo, desde a Alta Idade Média até pousar suavemente nos anos 70 do século XX.

Rainbow 1978

Rainbow

 Sobre a letra

 Na minha interpretação, parece tratar-se de um Amor bruscamente interrompido sem que se diga explicitamente a razão. Ou ainda, a interrupção da própria presença física da amada. Seja como for, fica bastante evidente que ela não retornará – e não que necessariamente não queira, mas simplesmente porque entende-se que está em um lugar tão distante, que não há mais como retornar para os braços de seu amante.

 “She’s been gone since yesterday”, “Summer nights are colder now”, “And all the lights have died somehow”, “Or were they ever there”… “No sighs or mysteries”, “She lay golden in the sun”, “No broken harmonies”, “But I’ve lost my way”, “She had rainbow eyes”. Para bom entendedor…

Rainbow Eyes – Rainbow (1978 – Ronnie James Dio)

She’s been gone since yesterday
Oh I didn’t care
Never cared for yesterdays
Fancies in the air

No sighs or mysteries
She lay golden in the sun
No broken harmonies
But I’ve lost my way
She had rainbow eyes
Rainbow eyes
Rainbow eyes

Love should be a simple blend
A whispering on the shore
No clever words you can’t defend
They lead to never more

No sighs or mysteries
She lay golden in the sun
No broken harmonies
But I’ve lost my way
She had rainbow eyes
Rainbow eyes
Rainbow eyes

Summer nights are colder now
They’ve taken down the fair
And all the lights have died somehow
Or were they ever there

No sighs or mysteries
She lay golden in the sun
No broken harmonies
But I’ve lost my way
She had rainbow eyes…

Fontes e Referências: http://www.ronniejamesdio.com/ & http://www.blackmoresnight.com/