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Homenagem a Hélcio AguirraHerói da Guitarra e Mestre do Rock

Hélcio Aguirra em 1984, tocando no Harppia

Hélcio Aguirra tocando na banda Harppia (1984). (Crédito: acervo pessoal online de Hélcio Aguirra)

 Não importa em que momento da vida certas… viagens aconteçam. A sensação é sempre de que “foi cedo demais”. E desta vez foi com um dos mais queridos, talentosos, dignos e importantes guitarristas da história do Rock Brasil: Hélcio Aguirra.

“Sua estreia em disco se deu com o EP A Ferro E Fogo, lançado pelo Harppia em 1985 e até hoje considerado um dos principais discos da história do Heavy Metal nacional. Em seguida, Hélcio criou o Golpe de Estado, que acabaria se tornando um dos principais nomes do Hard Rock brasileiro. A banda gravou oito discos: Golpe de Estado (1986), Forçando A Barra (1988), Nem Polícia Nem Bandido (1989), Quarto Golpe (1991), Zumbi (1994), Dez Anos Ao Vivo (1996), Pra Poder (2004) e Direto do Fronte (2012). Paralelamente, participou do grupo de Rock instrumental Mibilis Stabilis, que lançou três álbuns, Mobilis Stabilis (2001), Extra Corpore (2006) e Andando No Arame (2009).” – Site da Revista Roadie Crew.

Katalau e Hélcio Aguirra: Golpe de Estado tocando no Dama Xoc.

Catalau e Hélcio Aguirra: Golpe de Estado tocando no Dama Xoc. (Crédito: acervo pessoal online de Hélcio Aguirra)

 Ainda moleque no Rio de Janeiro, lembro quando ouvi pela primeira vez as guitarras do Golpe de Estado. Trocava de canais freneticamente, quando em um canal praticamente irrelevante na grade televisiva, me deparo com o clip de Noite de Balada: um Hard quente, elétrico, legítimo, convincente, inesperado… fora do comum no melhor sentido possível. Letra 1.000% Rock ´N Roll e um instrumental que me deixou muito surpreso. As linhas de baixo de Nelson Brito e a pegada poderosa de Paulo Zinner na bateria formavam uma cozinha que não devia nada a qualquer banda estrangeira. Evidente que o vocal de Catalau, totalmente despojado, desencanado e naturalmente agradável, chamou minha atenção – e numa época em que eu só ouvia e tentava reproduzir vocais cheios de virtuosismos. Contudo, repentinamente, um timbre de guitarra capturou totalmente minha atenção. Quem seria aquele sujeito por trás das seis cordas?

Noite de BaladaGolpe de Estado (Vídeo Oficial)

 Resultado: passei um bom pedaço da tarde tirando (ou tentando tirar) aquela música cujo refrão e solo nunca mais sairiam de minha mente. Pouco depois, tive contato com algumas matérias sobre o Golpe de Estado – aliás, ainda sigo até hoje achando esse nome genial – e naturalmente sobre Hélcio Aguirra, uma verdadeira lenda da guitarra no cenário do Rock Nacional. Conheci outras tantas músicas do Golpe, algumas do Harppia, lia diversas matérias e ficava absolutamente fascinado pelo nível de conhecimento dele, não apenas na execução do instrumento, mas também no tocante a equipamentos. Eu lia avidamente toda e qualquer entrevista ou coluna em que ele estivesse. Eu ainda não sabia muito, mas minha intuição me dizia para ouvir quando ele falasse.

 Eu pensava “nossa, o que esse sujeito faz na guitarra, da maneira que fica marcado na gente… parece coisa do Tony Iommi: riffs fodas, solos inesquecíveis e ainda essa Gibson SG”. Não custei muito a descobrir que não era incomum que ele fosse comparado ou associado ao maior de todos os riff masters como o “nosso Tony Iommi”. Com toda justiça, diga-se de passagem.

Tony Iommi e Hélcio Aguirra

Tony Iommi e Hélcio Aguirra. (Crédito: Vitão Bonesso)

 Olhar para o Rock no Brasil sem Hélcio, ao menos para mim é muito estranho. Mais do que estranho: é pesado e não no sentido musical. É esmagador. Cruel. Doloroso.

Na história do Rock brasileiro tivemos e ainda temos bandas e músicos fantásticos… mas agora, não temos mais a grandeza de Hélcio Aguirra e isso machuca demais. Um músico como poucos e um ser humano reconhecido pela boa índole e camaradagem. Um poeta das 6 cordas. Um professor sem igual e com a humildade de um aprendiz.

Caso SérioGolpe de Estado (Áudio Original)

Nunca cheguei a conversar com ele pessoalmente, apenas pelo Facebook brevemente uma ou duas vezes, mas ele foi gentil de uma forma que chegou a me deixar sem graça. Conheço algumas pessoas que foram próximas ao Golpe de Estado ainda na época do Catalau e todas sempre foram categóricas: ele era gente boa demais. Quer dizer, a admiração e respeito cultivados desde garoto, aumentaram ainda mais em âmbito também pessoal.

Hélcio Aguirra, guitarrista e fundador do Golpe de Estado.

Hélcio Aguirra. (Fonte: acervo online do Golpe de Estado)

 Hélcio, com a sua música você inspirou muitos romances e agitou incontáveis baladas. Estampou sorrisos e emocionou muitos de nós. Nunca desistiu da árdua tarefa de ser músico de Rock no Brasil. Foi muito além da obrigação de poeta da guitarra e fez de sua arte um sacerdócio de amor pelo Rock ´N Roll. É assim que o vejo. E certamente é assim que será lembrado. Descanse em Paz, grande e querido Mestre. Sua imortalidade está garantida entre nós.

Olhos de GuerraGolpe de Estado (Áudio Original)

Fontes e referências:
http://www.golpedeestado.com.br/
http://www.bandaharppia.com.br/home.html
http://www.roadiecrew.com/
http://kissfm.com.br/
https://www.facebook.com/helcio.aguirra
https://www.facebook.com/bandagolpedeestado

Outras homenagens que merecem ser compartilhadas:
Rodrigo Branco (Rádio Kiss FM): http://hoplitaurbano.wordpress.com/2014/01/22/golpe-profundo-a-despedida-repentina-de-uma-heroi-brasileiro-da-guitarra/
Felipe Machado (Viper): http://www.palavradehomem.com.br/?p=2308
Régis Tadeu (Produtor, jornalista e crítico musical): http://br.omg.yahoo.com/blogs/mira-regis/descanse-em-paz-helcio-aguirra-145358550.html

Rock In Rio 2013 Opinião sobre 13 shows

Logo do Rock In Rio

Rock In Rio 2013

Não é um “Top 13”, não existe ordem de relevância e são somente opiniões pessoais, não verdades absolutas – com uma ou outra opinião técnica sobre as bandas e alguns de seus músicos. Não vi todas as bandas do evento, mas das que vi os shows completos, seguem minhas impressões (muito) resumidas.
 
1 – Iron Maiden – Apresentação primorosa e um set malandramente certeiro, baseado nos clássicos consagrados. Jogo ganho. Você não precisa e nem deve entupir seu set de músicas novas num evento do porte de um Rock In Rio. Por mais que possam ser músicas excelentes, guarde-as para sua turnê fora de 90% dos grande festivais. E foi o que o Maiden fez.
2 – Metallica – Incríveis. A banda consegue manter um padrão praticamente inalterável de qualidade absoluta ao vivo. James domina tudo num raio de quilômetros. É impressionante a soberania do homem diante do público. No mais, os quatro devem ser robôs, cyborgs, warlords, sei lá. Só sei que foi uma apresentação irretocável.
Viper em sua formação 2012 para A To Live Again Tour

Viper: Guilherme Martin, Pit Passarell, André Matos, Hugo Mariutti e Felipe Machado. (Foto: Nando Machado/Wikimetal)

3 – Viper + André Matos – Minha banda favorita de Metal do Brasil. Gosto deles tanto quanto gosto do Maiden, mas tenho uma extrema preocupação com a voz de André Matos que mesmo sendo um grande vocalista, falha claramente algumas vezes. No mais, Felipe, Pit e Guilherme parecem nunca ter saído do palco e dos holofotes – e o Hugo é um reforço à altura da importância da banda, isso é inegável. É o habitat natural deles. Uma banda que NUNCA, JAMAIS em TEMPO ALGUM deveria deixar de existir. Resumindo: Long Live Viper!

Símbolo do DR SIN

DR SIN

4 – DR SIN + Roy Z + Republica – Show impecável, músicas fantásticas e precisão absoluta. Sim, sou tão fã do Dr Sin quanto do Viper. A participação do gigante Roy Z, um dos meus guitarristas favoritos, foi uma sacada inteligente para ambos. A tal banda República, não é ruim em absoluto, mas dados os monstros que estavam no palco com eles, admito: passei meio que batido pelo som deles. Ainda assim, do pouco que lembro, os caras não fizeram feio. Voltando ao DR SIN, o que vi, foi o mitológico Eduzinho “Malmsteen” Ardanuy barbarizando como sempre; Ivan “Simpatia” Busic tremendamente forte, técnico e carismático – aliás, um tremendo vocalista também como já sabemos há tempos e agora com um disco solo recentemente lançado; e o Andria que já é um puta baixista incontestável… meus amigos, o sujeito parece um vinho da melhor qualidade. Quanto mais o tempo passa, melhor ele canta. Andria “Assombroso” Busic, uma referência gigante para qualquer vocalista ou aspirante. Aprendam com esse homem!

Símbolo do Sepultura

Sepultura

5 – Sepultura – Porradaria sem fim como se não houvesse amanhã. Aquele pessoal do Les Tambours du Bronx caiu feito uma luva, mas também não fiquei surpreso. Não é de hoje que a banda flerta com todo tipo de percussão mundo afora. Já na apresentação com Zé Ramalho (que eu particularmente gosto muito), algumas músicas funcionaram melhor que as outras, mas no geral até que não ficou ruim. Nada menos que um show memorável.

6 – GhostEu entendi a proposta dos caras, até curto bastante um lance mais performático, teatral… mas não me convenceram, sinto muito. Tudo bem que o contexto não ajudou nem um pouco, contudo não acho certo terem hostilizado a banda como fizeram.
7Bon Jovi – Sempre curti, sempre fui fã, mas novamente a questão da voz foi determinante. Merece nosso respeito pela estrada e, principalmente, pela coragem. Seria o caso de baixar os tons e quem sabe mudar os arranjos de várias músicas. Jon, você continua incrível, mas precisa estudar uma solução para as músicas em tons muito altos.
8 – Bruce Springsteen – Como não amar esse cara? Acabou de fazer 64 anos (23/09) e pouco antes de seu aniversário passou como um rolo compressor em cima de tudo e todos, feito um garoto de 20. Exemplo de humildade e talento. Como falei em um post do Facebook: fez um verdadeiro show dentro de seu próprio show. E ainda me fez acreditar na imortalidade, porque nem de longe parece ter mais de 50 e tantos anos, que dirá mais de 60. 
Kiara Rocks Cover

Kiara Rocks

9 – Kiara Rocks – Não achei assim tão terrível como muitos disseram – e bota muitos nisso. Ok, não vou dizer que achei maravilhoso, realmente foi algo meio constrangedor em alguns momentos. Mas recorreram a covers e à presença de um dos meus maiores ídolos, Paul Di’Anno. Ter visto esse homem ao vivo num Rock In Rio 2013 foi de lacrimejar. Wrathchild no Rock In Rio com o vocal original… Maiden, vocês deram mole de não chamar (ou não conseguir convencer, dar o braço a torcer, vai saber) o cara pra fazer uma jam bombástica no final. Engraçado isso, mas o show da banda se tornou quase desimportante diante da presença de Di`Anno. Não digo isso com o intuito de desrespeitar, mas foi uma manobra inteligente ter colocado Paul no palco e atrair aplausos e olhares emocionados. Também colocaram o Marcão (Charlie Brown Jr), ou seja, tudo para tentar contornar a ferocidade do público. Com a presença desses convidados, além de Wrathchild, levaram também Highway to Hell (AC/DC, na qual aliás o Cadu saiu-se muito bem, justiça seja feita) e Blitzkrieg Bop (Ramones). Ah! Falei que o Kiara abriu com Ace Of Spades do Motörhead? Pois é, estava mais do que evidente o receio quanto à receptividade do público headbanger – e com toda razão. Quanto ao vocal do Cadu, tão duramente criticado, ele poderia fazer menos drives, distorcer menos a voz. Percebi que quando ele resolver cantar mais e rosnar menos, fica muito melhor.

10 – Sebastian Bach – A voz e o peso da cantar agudo desde a juventude fez muitas vítimas nesse Rock In Rio e convenhamos, ele foi mais uma delas. Hits incríveis foram conduzidos muito abaixo da expectativa. Ainda assim, outro que merece nosso respeito pela coragem de tentar. Skid Row será eterno, mas novamente: se Bach realmente quiser continuar na estrada, mesmo que solo, precisa arrumar uma solução honesta para seus vocais nas partes mais sôfregas.
11 – Slayer – No começo tive a impressão de que a voz de Araya sumia e voltava, mas depois parece que tudo se acertou. Gosto da banda, não costumo acompanhar muito, mas estão super em forma. Hanneman sempre lembrado pelos fãs e homenageado pela banda. Sentaram a porrada, rodas surgiram e todos tinham 20 e poucos anos novamente – inclusive a banda.
12 – Helloween + Kai Hansen – Olha, eu consegui gostar da banda pra valer até o álbum Time Of The Oath. Depois disso, prefiro ouvir Gamma Ray (banda de Kai Hansen) e os projetos de Michael Kiske (vocalista original). Eu até que gosto dos vocais do Andi Deris (inclusive em sua carreira solo, que aliás, recomendo), mas as músicas foram caindo muito no padrão Helloween de qualidade se querem saber a verdade. No mais, grande jogada tocarem junto com Kai Hansen. Contudo, se quiserem sentir algo realmente com o espírito Helloween, vocês DEVEM conhecer Unisonic, a banda que Hansen e Kiske montaram. Escrevi sobre eles há mais de um ano: https://rockuniverse.wordpress.com/2012/01/13/unisonic-michael-kiske-kai-hansen-e-o-primeiro-video-oficial-do-projeto/

Capital Inicial

Capital Inicial no Rock In Rio 2013
(Fonte: https://www.facebook.com/capitalinicial)

13 – Capital InicialVamos lá. Das que cantam em português, ainda deve ser a minha preferida em atividade. Desde o Aborto Elétrico, passando pela Legião Urbana, o que temos são esses caras não deixando o legado morrer. Sei que uns 8 em cada 10 fãs de Rock Nacional simplesmente odeiam, zombam, xingam e etc, mas sigo gostando e muito. Tanto dos clássicos da banda, quanto de seus sucessos mais recentes, podemos dizer que a qualidade musical e lírica segue despreocupadamente, imune às críticas que não visam debater, apenas desconstruir. Com a entrada de Yves nas guitarras e as composições de Pit, seguem firmes e fortes. Claro, muitos não sabem, mas o baixista Pit Passarell da banda Viper, responsável por boa parte dos Clássicos do Metal Brasil, é também o compositor por trás de 90% dos hits do Capital Inicial nos últimos anos. Ele conseguiu se destacar maravilhosamente em DOIS gêneros do Rock, ou seja, sou duplamente fã dele e do Capital. Chupa pessoalzinho from Hell. Quanto ao discurso do Dinho, melhor deixar pra lá.

Fontes e Referências: http://rockinrio.com/rio/

Viper 2012: “To Live Again Tour” – Turnê Comemorativa pelos 25 anos de Soldiers Of Sunrise!

Viper: Soldiers Of Sunrise

Soldiers Of Sunrise: 25 anos

 Sim, é isso mesmo: Viper, a melhor banda brasileira de Heavy Metal de todos os tempos, fará uma turnê para celebrar o Jubileu de Prata de seu clássico álbum Soldiers Of Sunrise!

 Após 22 anos desde a saída do consagrado vocalista André Matos, a banda retorna à ativa com apenas um adendo sobre o fantástico guitarrista Yves Passarell: ele fará participações esporádicas na turnê – muito provavelmente em virtude de sua agenda mais do que lotada como guitarrista do Capital Inicial. Revezando com Yves quando necessário, teremos o grande guitarrista Hugo Mariutti, que pelo sobrenome todo mundo já deve ter se ligado que não se trata exatamente de um estranho no ninho, muito pelo contrário. Completando a escalação, temos o sempre impressionante e arrojado guitarrista, também da formação clássica da banda, o inspiradíssimo Felipe Machado, além do bem-mais-que-talentoso Guilherme Martin na bateria e o genial baixista, vocalista e compositor Pit Passarell, que juntamente com seu irmão Yves, é membro fundador dessa fantástica máquina de distorção e virtuosismo chamada Viper.

 Não que eu precise pedir, mas vocês podem se programar pois a primeira data da To Live Again Tour  já está confirmada: 1º de julho no Via Marquês em São Paulo!!!

VIPER 2012: To Live Again Tour!!!

Viper em sua formação 2012 para A To Live Again Tour

Viper 2012: Guilherme Martin, Pit Passarell, André Matos, Hugo Mariutti e Felipe Machado. (Foto: Nando Machado/Wikimetal)

E Que os Deuses do Metal abençoem esse regresso com Fogo e Aço…

Fontes: http://www.palavradehomem.com.br/ (site do próprio Felipe Machado)http://www.wikimetal.com.br/