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Nightwish – Resenha do show no Credicard Hall, em São Paulo, 12/12/12

Nightwish Resenha Show Credicard Hall, São Paulo, 12/12/12

Nightwish – Credicard Hall, São Paulo, 12/12/12

Surpreendente. Sim, em uma palavra seria isso mesmo. Não que eu esperasse menos de uma banda como o Nightwish, mas francamente a banda saiu-se ainda melhor do que eu já esperava.

Estive no show que eles realizaram há 10 anos no Rio de Janeiro (na época ainda com Tarja), e fiquei bastante impressionado com a performance individual de cada um dos integrantes. Esse show de 2002 foi determinante para eu realmente me tornar fã da banda, passando a acompanhar cada movimento do quinteto. Mas vamos retornar a 2012 e falar o que rolou ao longo da noite de 12/12/12.

A despeito do trânsito que estava um tanto tumultuado – pois tratava-se de uma quarta-feira, ou seja, dia de jogo em São Paulo -, chegamos ao local pouco antes de 22:00h. Infelizmente não assistimos a banda de abertura, Tierramystica, mas pelo pouco que já ouvi deles o som parece realmente muito bom. De mais a mais, o que todos aguardavam para aquela noite memorável, era a apresentação do Nightwish.

Nightwish Credicard Hall 12/12/12

Nightwish – 12/12/12

Ao som de Crimson Tide (de Hans Zimmer) como introdução, a banda subiu ao palco emendando Storytime e o público demonstrou que mesmo as canções novas têm sido muito bem recebidas. Cá entre nós, fiquei bastante surpreso pela reação dos fãs às músicas mais recentes, afinal de contas, Tarja Turunen marcou a história da banda; e Anette Olzon ficou bem abaixo de qualquer expectativa, a ponto de praticamente sofrer bullying pelos próprios fãs da banda. Mas naquela noite o barco tomaria outro rumo, pois a mulher que atualmente ocupa o posto de vocalista (até então temporariamente), é uma bela e talentosa holandesa com mais de 1,80 m, dona de uma voz potente, afinada e maravilhosa, que atende por Floor Jansen.

“Mas ao vivo a voz se parece um pouco com a de Tarja?” – Olha galera, acho que muita gente fica lembrando da abordagem 100% lírica da pequena gigante, mas esquecem que há mais de um caminho para um agudo ou para uma boa execução. Tarja Turunen é fenomenal, sou muito fã dela e etc, mas Floor Jansen alcança notas fundamentais e com uma potência que me chamou a atenção várias vezes. Ela mescla as técnicas para ir “construindo o caminho”, valendo-se ainda da pegada mais Heavy do que Lírica em muitos momentos. Não, sua voz não se parece com a de Tarja e nem por isso é menos do que fantástica. Quem conhece o trabalho dela no After Forever (e no ReVamp) sabe do que estou falando. E se quisermos ouvir Tarja cantando hoje em dia, basta ouvirmos a carreira solo dela que também é excelente.

Floor Jansen simplesmente teve todos em sua mão do começo ao fim do show, essa é a grande verdade. Convenhamos que é uma tarefa bastante ingrata substituir Tarja, os fãs são exigentes e detalhistas. Anette que o diga. Conduzir os vocais de Storytime é claramente algo bem tranquilo. E quando começassem as músicas da fase Tarja, o que esperar? Pois eu lhes digo: que o show não acabasse nunca mais! Quando os primeiros versos de Wish I Had An Angel começaram, o Credicard Hall cantava em uníssono – inclusive esse que vos fala. Foi nesse instante que tive certeza absoluta de que aquela mulher deveria permanecer na banda. A energia e cumplicidade dos fãs para com a vocalista já estava selada.

Vejam o final de Wish I Had An Angel nesse show memorável:

Na sequência pudemos assistir Amaranth e Scaretale, que serviram para os fãs mais antigos absorverem o real impacto das composições pós-Tarja Turunen ao vivo. Tuomas Holopainen (teclado) é inegavelmente um dos atuais melhores compositores da cena Metal, chega a ser algo impressionante. Marco Hietala (baixo/vocal) continua tendo a presença de um viking no palco: canta, brinca e berra como se estivesse curtindo tanto quanto um fã de primeira viagem. E que voz de bárbaro, hein? Realmente é um tremendo vocalista. Eu que já era fã do cara, nem sei mais o que dizer.

Nightwish e Marco Hietala em São Paulo

Nightwish: Marco Hietala

Jukka Nevalainen continua martelando sua bateria com a precisão e o vigor de um pirata furioso, com sua bandana praticamente encobrindo os olhos. Parece que cada música será sua última, haja fôlego. Emppu Vuorinen, como de costume, esbanja técnica e simpatia: sorri, acena, faz pose de fortão com cara de mau e sobe em lugares, fazendo meio que piada com sua própria altura – o sujeito parece ser mais baixo que eu, e olha que tenho somente 1,67 m. Houve ainda a participação de Troy Donockley com sua uilleann pipes, dando um toque folk e fazendo valer a fidelidade de estúdio em canções como a belíssima The Crow, the Owl and the Dove.

Ever DreamNemo e Wishmaster  também marcaram presença entre os clássicos da banda. A química de palco entre Floor Jansen e o pessoal no Nightwish é tão bem lapidada, que é até estranho falar de Floor como se ela já não fosse integrante definitiva.

Show do Nightwish em 12/12/12 no Credicard Hall

Nightwish – Floor Jansen merece o posto!

Dark Chest Of Wonders, I Want My Tears Back, Over The Hills And Far Away (cover), Last Of The Wilds, Ghost Love Score, Song Of Myself e Last Ride Of The Day completaram o set. Já que tocaram músicas bem mais recentes (com as quais ainda não estou totalmente acostumado) para mostrar que não vivem somente de passado (o que está mais do que certo, afinal de contas continuam fazendo grandes músicas), posso dizer que poderiam ter acrescentado The Islander ao set.

Espero que mantenham Floor Jansen e que gravem um novo disco o quanto antes. A banda merece uma nota 9,25 por esse show inesquecível.

Show do Nightwish em 12/12/12 no Credicard Hall

The Mists Of Nightwish

Show do Nightwish em 12/12/12 no Credicard Hall

Nightwish – Tuomas Holopainen regendo e comandando os teclados ao lado de Marco 

Show do Nightwish em 12/12/12 no Credicard Hall

Nightwish – 12/12/12

Show do Nightwish em 12/12/12 no Credicard Hall

Troy Donockley em um dos momentos de sua participação no show

Nightwish: Emppu Vuorinen

Nightwish: Emppu Vuorinen, o guitarrista

Nightwish: Jukka Nevalainen

Nightwish: Jukka Nevalainen, o baterista

Show do Nightwish em 12/12/12 no Credicard Hall

Nightwish após a missão cumprida

O saldo final da noite, foi a sensação de ter testemunhado um dos melhores shows de Metal de 2012. Grandes músicos, uma grande banda e a certeza de que o quinteto ainda tem muita lenha para queimar. Rock On!

Fotos e Vídeo: Mauricio R. Cozer e Luciano Watase.

Fontes e Referências: http://nightwish.com/

http://www.tuomas-holopainen.com/

http://floorjansen.com/

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8 de Março – Dia Internacional da Mulher: O que Elas fizeram e fazem pelo Rock e pelos Homens?

Doro Pesch: Eternal Metal Queen

 No dia 8 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Por tudo que lhes têm acontecido ao longo da História, elas merecem ter não somente um, mas todos os dias dedicados a elas, sem a menor sombra de dúvida. Dentro disso me pergunto: o que elas fizeram e fazem pelo Rock e pelos Homens?

 Fiz questão de trazer o assunto um pouco para o Rock, justamente para expor o alcance da discriminação contra a figura da Mulher. Trata-se de fato inegável que a participação da Mulher em diversos setores da sociedade tem aumentado exponencialmente década após década, e não foi diferente no mundo das guitarras distorcidas. Elas chegaram e começaram a se tornar tecladistas, bateristas, baixistas, guitarristas e, obviamente, incríveis vocalistas.

Joan Jett: Bad Reputation

 Durante muitos anos foram aprisionadas “fora” do Rock, cabendo-lhes “somente” o papel de fãs, namoradas, esposas, groupies e etc… Como algo tão libertário pôde chegar a cair em tamanha contradição nessa questão? Seja como for, elas se mostraram tão superiores quanto sempre foram. Romperam gradualmente mais essa barreira, mostrando ao mundo que seu talento também se estendia aos palcos e estúdios, e que não eram meros troféus, adereços, bonequinhas de luxo com a eterna obrigação de exibirem beleza, unicamente para satisfazer os desmandos e a lascívia masculina.

Janis Joplin: The Queen Of Rock´N Roll

 As mulheres têm sido tema recorrente em baladas de Rock desde o início de tudo? Sim, todos sabemos disso. Elas inspiraram e continuarão inspirando artistas apaixonados. Mas percebam que curiosa essa questão: são endeusadas em letras, riffs e solos, mas ainda precisam lutar desesperadamente contra o preconceito justamente dentro do nicho que as idolatra. Que mulher nunca foi indevidamente abordada por um idiota em um show? Que mulher já não se viu restringida de ficar um pouco mais relaxada em uma balada? Que mulher já não precisou enquadrar um imbecil usando palavrões e tom de voz agressivo, por conta do mesmo imbecil não saber ouvir um NÃO, e simplesmente enfiar o rabo entre as pernas e sumir? Em uma tribo que adora enaltecer as reais qualidades femininas, combater os estereótipos e fazer valer que todos são iguais, pertencentes a um só grupo, aposto que muitas de vocês já passaram, ou conhecem outras mulheres que passaram por isso e por coisas muito piores.

Tarja Turunen: Wishmaster

 A quantas injustiças e desonras foram submetidas, e ainda assim seguem fortes e determinadas… Quanto valor, fibra e bravura em cada um de seus pequenos atos diários de sobrevivência: arriscando, tentando, lutando, errando e vencendo. Corações e Almas muitas vezes dilacerados ao final de um dia de trabalho, mas ainda assim atenciosas, carinhosas e delicadas no reencontro cotidiano com seus homens. Fazem de suas vozes, palavras e afagos, um bálsamo para nossa existência. Nos trazem à Vida, nos geram, criam, educam, guiam… Nos dão um caminho, motivação, coragem. Amor. Em um mundo cruel e perigoso, assumem o papel de mães, filhas, esposas, guardiãs e musas. Vocês são uma ligação, o elo místico que temos com as incontáveis Divindades que habitam a Terra e o Universo.

Lita Ford: Playing With Fire

 Por tudo que vocês, Mulheres, se veem obrigadas a tolerar ao longo de suas vidas, ainda assim triunfando em uma sociedade patriarcal como a que vivemos, só posso concluir uma única coisa: vocês são A Força primordial do Espírito Humano. O Rock Universe não apenas lhes deseja um belíssimo Dia Internacional da Mulher, como também agradece por vocês fazerem deste planeta um lugar um pouco mais suave, onde muitas vezes buscamos incansavelmente argumentos para seguir em frente, e vocês, ao abrirem um certo sorriso, nos dão todos os motivos de que precisamos.

 Quando um homem encontra essa tal mulher capaz de dar esse raro sorriso, de tornar sua vida plena de significados todos os dias, em alguns casos o cara monta uma banda, compõe uma música. Em outros, ele volta a ser poeta ou simplesmente cria um blog de Rock. 😉

The Phantom Of The OperaNightwish

Nightwish em 2002

Nightwish em 2002, ainda com Tarja

Não é de hoje que a literatura e a música erudita tem sido referenciadas por inúmeras bandas e artistas de Rock. Com o surgimento do Metal e suas muitas vertentes, essa inspiração tornou-se ainda mais evidente, seja em nomes, composições, riffs, figurinos, letras ou demais elementos.

Em 2002, os finlandeses do Nightwish lançaram no álbum Century Child, sua versão da belíssima obra The Phantom Of The Opera. Maravilhosamente adaptada por muitos anteriormente, merecem destaque o filme mudo dirigido em 1925 por Rupert Julian; a versão de 1962 também para o cinema, sob direção de Terence Fisher – constando em sua trilha sonora, a composição que se tornou a partir de então amplamente associada à peça, reconhecida por todos como menção à mesma, a célebre Tocata e Fuga em D Menor BWV 565, de Johann Sebastian Bach – e, finalmente, a belíssima adaptação musical de Andrew Lloyd Webber para os palcos da Broadway, em 1986, sendo essa a versão revisitada pela banda.

Cabe aqui um breve histórico literário: essas e outras versões foram inspiradas na novela originalmente escrita pelo francês Gaston Louis Alfred Leroux, Le Fantôme de l´Opéra, tendo a mesma circulado primeiramente de 1909 a 1910. Leroux conta-nos sobre a perturbadora relação entre a inicialmente desconhecida jovem bailarina e soprano, Christine Daae, e seu secretamente apaixonado protetor, que habita as catacumbas da Ópera de Paris ocultando sempre o rosto sob uma máscara, o soturno Erik – nessa versão do Nightwish fantasticamente interpretados por Tarja Turunen e Marko Hietala. O trabalho de Gaston Leroux fez com que fosse considerado na literatura francesa, o honroso paralelo do norte-americano Edgar Allan Poe e do britânico Sir Arthur Conan Doyle.

A profusão de bandas e fãs interessados em conhecer um pouco mais sobre a cultura mundial, fez com que muitas excelentes produções artísticas tenham sido gradualmente revistas e repaginadas, ganhando gerações de novos e ávidos admiradores. Costumo dizer que tudo aquilo que prima pela excelência, não desaparece nas brumas do tempo e do esquecimento, transcende décadas e séculos, terminando por encontrar sua herança espiritual em qualquer período da história.

 The Phantom Of The Opera  – Nightwish

Fonteshttp://www.gaston-leroux.net/
http://www.nightwish.com/pt/
http://www.gutenberg.org/
http://www.jsbach.org/
http://www.tarjaturunen.com/

Walking With The Angels: Doro Pesch & Tarja Turunen (Live – vídeo oficial)

Doro Pesch & Tarja Turunen

Em vários momentos temos a certeza de que algo maior nos protege ou guia ao longo da vida. Vivemos momentos pesados (no pior sentido da palavra, antes fosse Metal), momentos suaves, momentos esquisitos…e quando nos damos conta, não raro mal conseguimos crer que sobrevivemos a um determinado dia ou situação.

“Sobreviver” não se trata pura e simplesmente de Vida e Morte, e sim de superação em todos os sentidos…enquanto seres humanos, guardamos em nós muitas “vidas”, e assim sendo podemos morrer de diversas formas décadas antes da morte física se concretizar. Claro que não podemos e não devemos ignorar os episódios em que de forma inexplicável escapamos de um destino nada metafórico. Muitos olham por nós, e algumas vezes até mesmo pessoas de carne e osso fazem as vezes dos anjos em nossas vidas. Por essas e outras razões há momentos em que temos a nítida impressão de que realmente estivemos caminhando com os anjos…

A Metal Queen Doro Pesch e Tarja Turunen capturaram bem a essência disso, e temos logo abaixo o resultado dessa reflexão: Walking With The Angels

“I’m walking with the angels…I’m walking with the angel…I’m talking with the angels…I’m talking with an angel…And they’re watching over me and you…”