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Rock Universe Entrevista13 Doses com a banda Holiness

Holiness em ação no Manifesto Rock Bar

 Depois de três muitíssimo bem sucedidas matérias sobre a Holiness aqui no Rock Universe, resolvi entrevistar o quarteto – coisa que aliás eu já vinha adiando há algum tempo diga-se de passagem. Já havia conversado previamente com a banda sobre isso e Stéfanie sugeriu o dia 10/06, que foi o dia de um show da Holiness juntamente com Semblant e Ravenland no Manifesto Rock Bar.

 Em virtude do trânsito incomum para aquele horário de domingo, chegamos um pouco depois do começo do show da Holiness que nesse noite foi a banda de abertura. Entre pautas, anotações e adendos, assistimos Stéfanie Schirmbeck, Cristiano Reis, Hercules Moreira e Fabrício Reis reproduzindo fielmente no palco seus registros de estúdio.

 Como minha intenção não foi (e não poderia ser naquela noite) fazer uma cobertura completa ou mesmo parcial das apresentações das três (excelentes) bandas, mas sim curtir os shows e depois realizar a entrevista, vamos adiante com o debut de nossa coluna de entrevistas que na verdade foi muito mais um bate-papo descontraído permeado por perguntas (dei até uma enxugada, pois por mim publicaria toda a conversa) que aconteceu logo após o show, no segundo andar do Manifesto. Com vocês, 13 Doses!

Holiness & Rock Universe no Manifesto

13 Doses – Rock Universe entrevista Holiness

1 – Quais as maiores mudanças pelas quais vocês passaram desde o lançamento de Beneath The Surface (2010) até agora? Muitas mudanças pessoais ou mais de ordem profissional mesmo?

Stéfanie Schirmbeck, vocalista da banda Holiness

Stéfanie Schirmbeck

 Stéfanie: As duas, pois não tem como ser de outra forma. Uma coisa puxa a outra, estão ligadas, são coisas que vão caminhando em paralelo no cotidiano até quando não percebemos.

2 – Mais cedo ou mais tarde boa parte das bandas profissionais brasileiras acaba migrando para São Paulo. Como tem sido a adaptação de vocês de uma maneira geral? Muito estranhamento ainda?

 Cristiano: Vimos que muita coisa não é exatamente como esperávamos. O público procura muito mais bandas cover do que autorais. Não adianta nada reclamarem de que não surgem novas bandas autorais se quando elas aparecem, as pessoas sequer querem ir aos shows para conhecê-las – nem que seja para dizer “Ok, vim, ouvi e não gostei”. Mas quando o papo é banda cover, vemos filas nas portas dos lugares e casas cheias. Não temos nada contra bandas cover, mas isso é o inverso do que deveria ser (Nota: nesse momento toda a banda se manifesta em concordância com Cristiano).

3 – A cena tem se tornado mais unida nos últimos anos? Algo já mudou após o fiasco do M.O.A. ou do último Rock In Rio por exemplo?

 Hércules e Stéfanie: Ainda falta união sim. Essa troca, esse apoio mútuo, todo mundo junto lutando por todos é algo necessário. Sem essa separação toda de cada um só querer ver o seu lado.

 Stéfanie: Hoje por exemplo nós estamos abrindo para a Semblant, eles abrem para nós em outro show e por aí vai. Claro que estamos na mídia também, na MTV, MixTV, aparecendo em outros canais, mas isso não é tudo: essa união entre as bandas deve ser permanente e esse sentimento de união deve se estender ao contato direto com os fãs, que é algo que nós adoramos fazer! Estamos sempre em contato com todo mundo via Facebook e Twitter.

4 – Muitas bandas em ascenção têm mantido uma postura cada vez mais profissional em todos os sentidos. Vocês acham que, ao menos em parte, isso tem colaborado para despertar o interesse dos fãs de Rock/Metal em geral?

Banda Holiness ao vivo no Manifesto Rock Bar

Holiness ao vivo no Manifesto Rock Bar

 Stéfanie e Cristiano: Acreditamos que sim e falando por nós, fazemos questão de oferecer um show de qualidade e não falamos apenas do som em si. Além de toda a parafernalha de áudio, nós temos também nossos próprios equipamentos de luz, fumaça, efeitos, ou seja, procuramos ter toda a estrutura profissional que uma banda internacional possa vir a oferecer. Não tem como haver essa desculpa quanto à qualidade do show. O que você vai ver em um show gringo não é diferente daquilo damos ao público ao vivo. Estamos combatendo e desconstruindo essa mentalidade de que só a banda gringa vai te dar uma puta apresentação. Dependendo do estilo de apresentação de uma determinada banda grande no palco, muitas vezes eles acabam usando o aparato mais básico, mas nós fazemos questão de dar ao público mais e mais espetáculo, não importa onde, não importa quando.

5 – Aproveitando a resposta anterior da Stéfanie falando sobre Social Media, temos justamente atentado desde o começo para o quanto vocês têm sido ativos nas redes sociais, sempre interagindo com os fãs, realizando promoções e respondendo a todos. Qual é para vocês o real tamanho, a real importância que as bandas devem dar aos seus fãs em se tratando de feedback? A era dos “Astros Intocáveis do Rock” está chegando ao fim?

Stéfanie Schirmbeck e Cristiano Reis, o casal da banda Holiness

Stéfanie Schirmbeck e Cristiano Reis: casal Metal

 Stéfanie: Sim, definitivamente. Como estávamos falando, estamos sempre interagindo, observando, colhendo esse feedback na web, nas redes sociais, afinal de contas é preciso estar antenado com tudo que acontece. Deve-se ter visão comercial também, teu público é o teu cliente. Não é só disco, show e pronto. O movimento gerado pelo teu trabalho enquanto músico acontece antes, durante e depois dos shows. Muitas vezes o estrelismo de certos artistas vem acompanhado de despreparo no que diz respeito a quem é teu público e à visão comercial que deveriam ter. Digo essas coisas no sentido de saber quem é o teu fã e o que ele curte, do que gosta, aonde ele vai, que lugares frequenta, tanto dentro quanto fora da web.

6 – Stéfanie, no final do show você falou em singles ainda esse ano. Qual o ritmo atual da Holiness com o 3º clip recém-lançado (Mine) e shows rolando cada vez mais? O tempo tem se tornado muito curto para fazer tudo?

 Stéfanie: Sim, o tempo encurtou mesmo, mas os singles estão em andamento. Basta administrar esse tempo entre shows, viagens e gravações (Nesse momento admiti à banda o meu alívio quando lançaram o 3º clip e mais ainda ao saber dos singles).

7 – Estamos em pleno século XXI, mas não tem como evitar a pergunta: você(s) percebe(m) algum tipo de preconceito contra as mulheres que integram bandas de Rock/Metal hoje em dia?

Stéfanie Schirmbeck ao vivo no Manifesto

Stéfanie Schirmbeck: potência e controle

 Stéfanie: Olha, eu pessoalmente nunca passei por nada desse tipo. Até acredito que esse tipo de coisa ainda role, mas que esteja se tornando algo cada vez mais raro de acontecer.

8 – Hércules, na sua opinião, existe algo imprescindível para ser um bom baixista de metal? E quais são as suas influências? (Nota do Rock Universe: Hercules deixou a banda algumas semanas depois, enquanto ainda editávamos a presente matéria)

Hercules Moreira Baixista da banda Holiness

Hercules Moreira

 Hércules: Basicamente seguir um estudo específico voltado para aquilo que você precisa. Técnica de 3 dedos por exemplo é importante no Metal, assim como velocidade e marcação. Minhas referências são trabalhos solo de baixistas desconhecidos do grande público. Dos mais conhecidos eu apontaria John Myung (Dream Theater).

9 – Cristiano, a mesma pergunta para você: o que é essencial para um baterista e quais suas influências?

Cristiano Reis baterista da banda Holiness

Cristiano Reis

 Cristiano: Estudar os elementos presentes na Bossa e no Jazz ajuda muito. Outra coisa que muita gente não se liga, são as famosas marching bands dos EUA – os caras fazem coisas incríveis! Recomendo também Mike Portnoy (Dream Theater), Travis Orbin e o som do Lamb Of God.

10 – Fabricio, a mesma coisa: o que é importante e quem te influenciou/influencia?

Fabricio guitarrista da banda Holiness

Fabricio Reis

 Fabricio: Considero importante conhecer tudo e ouvir muita coisa. Te confesso que não sou adepto de teoria, vou mais naquela de usar determinados elementos para ir criando o meu próprio som. Tenho referências? Sim, mas quero sempre aplicá-las sem simplesmente clonar alguém. Tenho ídolos, existem sim aqueles caras que digo “Putz, que foda!”, mas quero também “ser o meu som” e a minha própria referência. Tanto a parte técnica quanto o clima, texturas e atmosfera são importantes num som de guitarra. Levando tudo isso em conta, posso citar o The Edge (U2), John Petrucci (Dream Theater) e Zakk Wylde (Ozzy Osbourne, Pride & Glory e Black Label Society)

(Essa mesma pergunta sobre influências e principais atributos para vocalistas será feita à Stéfanie exclusivamente na série de entrevistas que iremos inaugurar no Rock Universe somente com vocalistas nacionais. Ela já está ciente disso, portanto, aguardem por essa e por outras novidades em breve)

Stéfanie e Fabricio no Manifesto Rock Bar

Stéfanie e Fabricio no Manifesto

11 – O que é o melhor e o pior de estar na estrada e em estúdio?

 Stéfanie e Cristiano: Na estrada o grande lance, a parte legal, é a interação. Ver como as coisas funcionam no show, como o público se comporta, como são as reações. Esse contato te dá um outro tipo de feedback que só podemos ver ao vivo, no palco mesmo. O lado ruim são as condições ruins de transporte e estrutura de alguns lugares para os músicos.

 Cristiano: No estúdio também tem os dois lados. Às vezes tu fica sem saída, vê que alguma coisa não tá rolando… Procura o caminho, mas não rola. Uma nota, uma levada, alguma coisa não se encaixa, sabe? Daí, enquanto essa resposta não surge, tu quebra a cabeça mais um pouco e… nada! Tu vai dormir, acorda mais tarde e de repente, sem pensar muito naquilo, depois de praticamente quase não conseguir dormir, a solução aparece. Nesse momento retomamos a parte boa que começa no processo de composição: você grava, acerta tudo e depois com tudo gravado, tu ouve e fica meio bobo. Escutando aquilo tu pensa: “Nossa! A gente fez isso? Putz, que legal!” – Nós fazemos questão de manter um padrão elevado do começo ao fim, em cada passo que faz parte do processo como um todo, da composição à finalização, mas mesmo assim ainda fica aquela mistura de alegria e surpresa quando o material está pronto. É foda ver a Arte nascer, ainda mais a tua própria.

12 – E quanto às bandas veteranas? Elas têm acolhido bem as mais recentes? Como tem sido com vocês?

 Cristiano: Da nossa parte não podemos reclamar. Acredito que manter uma postura profissional desde o começo, nos mínimos detalhes, talvez ajude. Mesmo uma banda jovem e/ou composta por jovens, hoje em dia não são mais meros aventureiros da música.

13 – Não existe fórmula mágica para o sucesso, mas vocês apontariam alguns atalhos honestos para quem está tentando começar? 

 Stéfanie: Antes de tudo é se valorizar, não aceitar situações humilhantes. Não te curve para imposições absurdas, não paguem para tocar. Por favor, não paguem para tocar! Não aceitem qualquer condição que te desrespeite enquanto profissional, enquanto músico, enquanto uma pessoa digna que leva a sério o que está fazendo, enquanto alguém que se ama e que ama a sua própria música.

É isso aí, 13 Doses devidamente consumidas até a última gota. 

 Como eu falei no início da matéria, foi uma noite com as bandas Holiness, Semblant e Ravenland. Não tivemos tempo hábil nesse dia para topar com o pessoal da Ravenland nem antes e nem depois do show, mas como os laços da Holiness se estendem fortemente à Semblant, vejam só quem apareceu no meio da entrevista:

Sergio Mazul, Mauricio R. Cozer e Mizuho Lin. Vocalistas da Semblant com Rock Universe

Sergio Mazul, eu e Mizuho Lin: os vocalistas da Semblant fazendo uma participação especial.

 Tanto o Sérgio quanto a Mizuho são duas pessoas extremamente receptivas. Aliás, aquela minha foto com a Holiness lá começo da matéria foi um favor pedido ao grande Sérgio (valeu, irmão!). Esse tal laço entre Holiness e Semblant se traduz muito bem através de outro simpatissíssimo casal do Metal Nacional:

Fabricio Reis e Mizuho Lin

Mizuho Lin & Fabricio Reis: casal símbolo da aliança Semblant & Holiness

 E foi nesse longo e tumultuado momento pós-show que os integrantes da banda Holiness uma vez mais esbanjaram sua costumeira simpatia e todo seu profissionalismo (como sempre falo, essa palavra é uma tônica quando se fala da banda), mesmo cansados e dando atenção aos fãs que pediam fotos e demais veículos presentes que os abordavam.

 O Rock Universe agradece à banda e deseja que a estrada do Rock ´N Roll continue sempre recompensando seu inquestionável talento.

Holiness ao vivo

Holiness: Rockin´ The Night Away!

ROCK ON!!!

Fontes e Referências Oficiais:

YouTube Oficial Holiness: http://www.youtube.com/user/officialholiness/videos

MySpace Holiness: http://www.myspace.com/officialholiness

Facebook – Fanpage: https://www.facebook.com/HolinessBrasil

Facebook – Perfil: https://www.facebook.com/officialholiness

Twitter – @BandaHoliness: http://twitter.com/BandaHoliness

Morre Jim Marshall, o criador dos amplificadores Marshall

Morre aos 88 anos Jim Marshall, criador dos amplificadores Marshall

Morreu hoje Jim Marshall, criador dos clássicos amplificadores Marshall

 Morreu aos 88 anos Jim Marshall, o pai dos amplificadores Marshall. 99% daquilo que ouvimos e identificamos no Universo do Rock ´N Roll em se tratando de sons de guitarra nas últimas cinco décadas, devemos à criação desse sujeito.

 Nascido em Acton (1923), o inglês James Charles Marshall era baterista e vocalista, tendo sido inclusive professor de bateria de nomes como Mitch Mitchell (The Jimi Hendrix Experience), Mick Underwood (Ritchie Blackmore) e Mickey Waller (Little Richard) entre outros. Justamente em virtude da necessidade em fazer com que sua voz pudesse ser ouvida enquanto tocava, ele criou um de seus primeiros sistemas de amplificação ainda nos anos 40. Já em 1962, com a fundação da Marshall Amplificationpode-se dizer que Jim demarcou em definitivo a história dos timbres de guitarra do Rock em antes e após Marshall.

 Hendrix, Iommi, Slash, Clapton, Kerry King, Jeff Hanneman, Yngwie Malmsteen, Pete Townshend, Blackmore, Page, Dave Murray, Adrian Smith, Janick Gers, Zakk WyldeRandy Rhoads são apenas alguns dos mais que famosos guitarristas a fazerem uso dos Amplificadores Marshall para registrar sua arte, tanto em estúdio quanto ao vivo.

Alguns modelos de amplificadores Marshall

Marshalls

 Quando ainda tocava, tive o prazer e o privilégio de ser o feliz proprietário de um Marshall Valvestate 8080. A incrível distorção desse amp soava exatamente como algumas das melhores gravações do final dos anos 70 e início dos 80. Um amplificador Marshall tem algo a mais, um certo mistério intangível, algum tipo de alma…

 Não sei dizer como Mr. Marshall conseguiu criar algo tão perfeito e único, só sei dizer que tive vários amplis e utilizei muitos outros, mas nenhum deles jamais soou como aquele meu velho Marshall. Nenhum.


R.I.P. James Charles Marshall (1923-2012)


Fontes: http://www.marshallamps.com/

http://www.guardian.co.uk/

Black Sabbath cancela tour de 2012!

Black Sabbath Reunites 2012

Black Sabbath Reunites: turnê de 2012 cancelada

 A notícia não é das melhores mas também não é das mais terríveis: devido ao linfoma de Tony Iommi, o Black Sabbath não poderá realizar a tão esperada turnê 2012, anunciada em novembro do ano passado. O idolatrado Iron Man segue com o tratamento, contudo ele não estará suficientemente recuperado para cumprir com a pesada agenda inicialmente planejada.

As gravações do novo disco seguem com relativa normalidade e apesar do cancelamento, a banda fará uma única apresentação dia 10 de Junho, no Download Festival, em Donington, Reino Unido. Como criou-se uma enorme expectativa e muita coisa foi movimentada, no lugar do Black Sabbath foi anunciada uma tour intitulada Ozzy & Friends, que será naturalmente uma turnê do Prince Of Darkness, Ozzy Osbourne, e que contará ainda com algumas participações especiais como Geezer Butler, Zakk Wylde e Slash, os três confirmados até o momento.

Conheça agora as datas da Ozzy & Friends Tour

-23/05 – Helsinki, Finlândia – Hartwall Arena

-25/05 – Estocolmo, Suécia – Stadium

-27/05 – Jelling, Dinamarca – Jelling Festival

-29/05 – Bergen, Noruega – Bergen Calling Festival

-31/05 – Oslo, Noruega – Spektrum

-02/06 – Malmo, Suécia – Malmo Stadium

-04/06 – Dortmund, Alemanha – Westfalenhalle

-06/06 – Praga, República Tcheca – O2 Arena

-15/06 – Vitoria, Espanha – Azkena Rock Festival

-17/06 – Clisson, França – Hellfest

-22/06 – Dessel, Bélgica – Graspop Metal Meeting

-24/06 – Milão, Itália – Gods of Metal Festival

-26/06 – Viena, Áustria – Stadthalle

-28/06  – Belgrado, Sérvia – USCE Park

-01/07 – Atenas, Grécia – Rockwave Festival – Terra

Fontes: http://www.blacksabbath.com/
http://www.ozzy.com/us/home
http://www.downloadfestival.co.uk/
https://www.facebook.com/BlackSabbath

Mundo Cao – Hard Rock crítico e ácido como o ser Humano

Mundo Cao: CD de lançamento

Um belo dia “topei” com um simpático sujeito no Facebook de nome Zeca Salgueiro e ele humildemente como tantos outros músicos, me enviou um link de sua banda. Ouvi a música, assisti o clip, reconheci o baterista que já é conhecido de todos – quem não sabe de quem se trata saberá mais adiante – e fiquei com aquele ponto de interrogação na cabeça: como pode ainda existir uma banda brasileira tão recente de Rock, que consegue fazer um som pesado, bom, coeso e que mesmo adotando uma abordagem de cunho sociológico, dicotomicamente se dá ao luxo de ser tão descontraída? O som desse trio nos remente à uma proposta há muito esquecida: o Rock ´N Roll pode ser pesado, consciente, bem feito, bem produzido, bem tocado e ainda assim ser bastante divertido!

O Mundo Cao (sim, sem o “til”) lançou seu primeiro CD em 2011 e trata-se de mais uma incrível banda paulista de Hard Rock, que diferentemente da maioria dentro do estilo, traz em suas letras críticas sociais e à acidez urbana que constatamos nas grandes cidades, gerando dessa forma um alerta às paranóias diárias e ao caos reinante no país. Com letras em Português, os vocais são divididos entre o guitarrista Fábio Gadel e o baixista Zeca Salgueiro – ambos com vozes marcantes, afinadas, bem encaixadas e sem os habituais maneirismos além da necessidade que muito costumamos ver em bandas semelhantes, ou seja, não tentam imitar quem quer que seja, o que por si só confere um gigantesco mérito à banda.

Fábio Gadel: guitarrista do Mundo Cao

Já falando do excelente trabalho instrumental, o timbre de guitarras escolhido por Fabio Gadel é do tipo que considero perfeito para riffs que pretendem extrair o maior peso possível, mas sem abrir mão da nitidez em cada nota – eu fazia questão de usar o mesmo timbre quando tinha banda e francamente ainda tenho especial predileção por esse som nas seis cordas. Insta salientar que o fato do cara ser um ótimo guitarrista ajuda bastante, afinal de contas equipamentos não fazem milagres – quem curte Zakk Wylde e uns outros nessa mesma linha, terá uma ótima impressão do seu trabalho de guitarras e talvez entenda melhor o que estou falando.



Zeca Salgueiro: baixista do Mundo Cao

O baixista Zeca Salgueiro – o tal sujeito que me apresentou o trabalho da banda – sabe trabalhar o baixo fazendo à risca a tão necessária ponte batida-harmonia, muitas vezes negligenciada por baixistas que se resumem a replicar no baixo as tônicas da guitarra, como se tocar baixo se restringisse a isso. O cara conduz linhas de baixo que têm peso, velocidade e groove, isso sem falar nos momentos em que cabe a ele criar aquela atmosfera que só mesmo um baixista competente é capaz de proporcionar. Zeca ainda faz algo que considero essencial em qualquer baixista de Hard e Heavy: dobra os riffs de guitarra quando necessário sem a menor dificuldade. O baterista que citei logo no início da presente matéria é nada menos Ivan Busic, o homem por trás da poderosa e magistral bateria do DR SIN, logo dispensa maiores comentários e apresentações.

Mundo Cao: ensaio

A faixa de abertura “Vampiros Existem” logo de cara é uma explícita crítica aos políticos e sua conduta, comparando-os com “vampiros” como bem acusa o título. Na seqüência temos “Força-Motor” cujo tema e clima tem aquela cara de “vamos cair na estrada sem olhar pra trás”, ou seja, Rock com batida, licks e riffs para acelerar a mente rumo ao infinito. “Surtado” é um nome bem apropriado para a faixa 3: andamento, ritmo e uma letra particularmente muito louca! Do pouco que parei para entender sobre essa letra em uma de minhas interpretações, entendi como uma crítica sobre o quanto a sociedade nos empurra em direção ao que todos dizem ser o “certo”, quando na verdade nem mesmo quem afirma tais “certezas” confia no que está falando. Destaque para os versos “E quanto mais eu me trato / mais longe eu fico da cura” – minha antiga professora de Teoria da Literatura teria ficado orgulhosa de mim ao menos pelo meu esforço.

“Maloqueiro Sem Futuro” é a quarta música do disco e foi através da qual tive meu primeiro contato com a banda. Tem de tudo um pouco: peso, técnica e crítica social. Tem alguma coisa de R&B em sua levada e por uma série de razões é uma das minhas prediletas até agora. Assistam ao clip logo abaixo:

A faixa 5 “Computadores Pros Pobres” já denuncia em seu título a intenção de criticar as diferenças sociais entre ricos e pobres, utilizando em sua letra termos bastante comuns do mundo informatizado em que vivemos, além de ser provavelmente uma cutucada (ainda que inconsciente) naqueles que adoram dizer que a inclusão digital é a salvação da lavoura. O andamento, a cadência e harmonias nessa música tem uma pegada bem mais Heavy do que Hard – e cá entre nós isso funcionou maravilhosamente, se bem que esse sotaque Heavy está presente ao longo de todo o disco e talvez isso torne o som do Mundo Cao ainda mais interessante. “Satanás Quer Turistas” é propensa à bateção de cabeça por conta da marcação de tempo e duração da mesma. Alguma coisa sutilmente hardcore permeada por riffs com jeitão de bay area.

“Insônia” é tremendamente pessoal para muitos de nós, pois parece tratar exatamente de uma das maiores aflições modernas, inclusive a desse redator que vos escreve. Claro que há outros elementos em sua letra que parecem se desdobrar, mas entendo que as madrugadas insones são o gatilho de uma série de outros sentimentos. A música inicia com o riff tendo os pratos de ataque pontuando o mesmo, ao qual se junta em um segundo momento o baixo dobrando o riff de guitarra, dando um charme de Heavy oitentista mas sem soar datado. Os primeiros versos tendo somente a linha de baixo ao fundo conferem um ar ligeiramente misterioso, mas sem apelação. Velocidade e solos fecham a faixa sem deixar pontas soltas.

“O Amor É Mentira” é composta por diversas mudanças de andamento e abusa do humor “dedo-na-ferida” bem direto ao alertar sobre o Amor. “Bug do Milênio” além de bem composta e executada, é uma daquelas que diverte do início ao fim. Encerrando o disco de estréia da banda, temos a música que leva o nome do grupo, mas dessa vez com o sinal gráfico “til”: “Mundo Cão”. Uma introdução clássica num estilo familiar tanto para o pessoal Hard quanto para o pessoal Heavy, nos leva à uma letra simples mas que diz, melhor traduz, exatamente do que se trata o ciclo natural de nosso mundo: quem tenta fazer as coisas do jeito certo “quase sempre se dá mal”. Pois é…”É o Mundo Cão!” – Ainda assim agradeço pelo “quase” que puseram na letra, senão estaríamos todos condenados.

Mundo Cao: Hard Rock com pegada

Há um outro mérito que merece ser citado: as músicas não são longas e cansativas, muito pelo contrário! Quando você se dá conta o CD acabou e lá está você escolhendo uma nova ordem para ouvir as faixas. Para mim quando alguém está curtindo um disco, ele termina e solta-se o famoso “Já?” isso é um excelente indício de que a banda realmente está muito acima das expectativas. Tentando resumir a banda Mundo Cao em cinco palavras eu diria: peso, inteligência, qualidade, diversão e criatividade.

A produção de Mundo Cao é de Andria Busic, a distribuição é da Tratore e a assessoria de imprensa está a cargo de Alessandro Fernandes.

Fontes & Referências: http://www.mundocao.com.br
Twitter: @MundoCaoBanda